ESPECIAL FOTO-HISTÓRIA 007

 

Ian Lancaster Fleming (1908 - 1964), Britânico criador de James Bond. (Photo by Express Newspapers/Getty Images)
Ian Lancaster Fleming (1908 – 1964), Britânico criador de James Bond. (Photo by Express Newspapers/Getty Images)

O INÍCIO

A segunda guerra mundial servira como palco de origem para diversas cousas da atualidade, muito além da tecnologia o conflito inspirou boas histórias e uma delas fora a do espião mais famoso do cinema; Bond, James Bond. A guerra fora à inspiração de Ian Fleming, membro da marinha real britânica e um dos comandantes do serviço de inteligência inglês contra a Alemanha nazista.

Logo em seu ingresso na marinha, Fleming fora convidado pelo próprio diretor a desempenhar um papel na área de inteligencia, onde passou grande parte da sua vida estudando e conhecendo espiões, observando seus hábitos e aquele estilo de vida, o que futuramente serviria de inspiração para criação do seu personagem. Em seus livros, chegava a relatar situações reais das quais vivenciou, talvez uma das mais famosas seja a do espião conhecido como Popov, na ocasião em uma partida de bacará (jogo de cartas) o agente Popov elevou tanto uma aposta que obrigou o seu rival a deixar a mesa. Impressionado, Fleming utilizou a ocasião em seu primeiro livro de 1953; Cassino Royale, posteriormente na adaptação para o cinema de 2006, substituíram bacará por poker.

No pós guerra Fleming que atuara na Jamaica em missões de reconhecimento, ficou fascinado pelo belo lugar onde construiu sua mansão de veraneio, batizando-a de “Golden Eye” nome de uma das operações secretas do qual esteve envolvido.

 

Local onde Ian Fleming escrevia seus livros, localizado em Oracabessa , Jamaica. Hoje transformado em Hotel Resort.
Local onde Ian Fleming escrevia seus livros, localizado em Oracabessa , Jamaica. Hoje transformado em Hotel Resort.

Em Oracabessa, frente as belezes naturais o escritor ganhava vida, Fleming ansioso e entendiado, sempre recordado como alguém que fumava algo em torno de 50 cigarros diariamente, descarregava suas emoções no papel e nascia então James Bond, nome esse de um ornitólogo que estampava a capa de um dos seus livros.

 

Capa do livro "Birds of the West Indies" do qual Fleming pegou o nome do autor para seu personagem.
Capa do livro “Birds of the West Indies” do qual Fleming pegou o nome do autor para seu personagem.

O primeiro romance intitulado Cassino Royale foi publicado em 1953 e dividira opiniões, muitas das críticas se deram pelo fato do livro abordar temas pesados para época como; abuso de álcool, sexo, violência. A trama se destacava por trazer um agente secreto do serviço secreto britânico extremamente culto e que vivia uma vida luxuosa em meio a carros e interessantes garotas. Características chave que predominariam por toda a franquia literária e cinematográfica. Bond não recuava ao perigo e estava sempre em campo, coisa que Fleming não pudera fazer no passado, por seu trabalho na inteligência britânica era valioso demais para ser capturado, então muito do autor está em Bond, seja na vida sofisticada aos desejos de ação.

Capas dos livros de James Bond escritos por Ian Fleming.
Capas dos livros de James Bond escritos por Ian Fleming.

A FRANQUIA NO CINEMA 

Houve um grande disputa e problemas com relações aos direitos autorais para adaptação dos livros de Bond, mas em 1962; 007 Contra o Satânico Dr. No estreava nos cinemas, dirigido por Terence Young e produzido por Harry Saltzman e Albert Broccoli, Sean Connery deu vida ao espião dos livros em outro episódio conturbado, pois Fleming não aprovara a escolha, acreditando que Connery não era sofisticado o suficiente para o papel, devido sua origem rural.

Primeira aparição de Sean Connery como 007 em Dr. No.
Primeira aparição de Sean Connery como 007 em Dr. No.

O primeiro filme cujo o orçamento fora de apenas 1 milhão de dólares se tornou um grande sucesso mundial nos anos 60, permitindo aos produtores que continuassem a franquia e rendendo a Connery grande notoriedade na época. Interpretando o agente secreto de 1962 até 1967, algumas desavenças internas entre os produtores e Sean o levaram a deixar o papel. George Lazemby ganhara o personagem no sexto filme, A Serviço Secreto de Sua Majestade de 1969, apesar de nunca ter atuado, George convencera os produtores que poderia ser um sucessor digno, o que não ocorreu. O filme foi alvo de duras críticas por todas as partes e em 1971 Sean fora novamente contratado para mais um filme, esse sim o seu último da carreira como James Bond.

OS OUTROS BONDS

Roger Moore, escolha primaria de Fleming, não pode assumir o papel inicialmente por estar envolvido com a série O Santo, mas em 73 com o retorno da franquia, Moore finalmente encarnava Bond, esse mais humorado em sua atuação, entregou um 007 mais versátil, diferente do jeito rústico de Connery, Roger Moore conquistou o público por suas peripécias beirando o impossível. O ator detém o record do maior número de filmes na pele do agente, de 1973 até 1985, totalizando 7 longas.

Timoty Dalton surgira como Bond em 1987, com a guerra fria chegando ao final. Inicialmente a escolha dos produtores fora Pierce Brosnan que chegou até a fotografar para o material de lançamento do filme, mas inesperadamente anunciaram em um evento que o papel seria de Dalton, surpreendendo até o próprio Pierce que na ocasião acreditava já estar escolhido. Dalton atuou em apenas dois filmes, de 1987 até 1989 e não agradou o público geral no papel do agente. Esse mais sério em sua atuação, com o sucesso dos filmes policias norte-americanos, a produtora tentou trazer alguns elementos para o longa no final dos anos oitenta, mais sofreu grande represália por entregar um filme violento em Permissão Para Matar de 1989.

Pierce Brosnan finalmente brilharia no papel do agente em 1995, escolha óbvia dos mais jovens, Brosnan é considerado por muitos o melhor 007. Sua elegância e pontualidade britânica é sempre mencionada quando falamos na franquia, características essas que o consagraram nos anos noventa. Pierce viveu Bond em quatro filmes, de 1995 até 2002.

Daniel Craig desde 2006 é o interprete atual do agente, alvo de fortes críticas no início de carreira, por apresentar um Bond imaturo e desleixado, mas que ao longo dos filmes fora obtendo as características clássicas do agente. No último filme da franquia, recém lançado nos cinemas, Craig retorna as origens do espião ao se deparar com um inimigo já visto desde os primeiros filmes, embora toda a ordem cronológica seja nova, vários elementos chave da série estão presentes em 007 Contra SPECTRE, cujo review está disponível em nosso site.

Sean Connery, George Lazemby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, Daniel Craig.
Sean Connery, George Lazemby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan e Daniel Craig.

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!