De Volta Ao Passado Com 11.22.63 (Review)

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Um excelente piloto chamou minha atenção em Fevereiro desse ano e após oito excelentes episódios a minissérie chegou ao seu final recentemente. Apesar da distribuição se resumir ao serviço de streaming “HULU”, a produção fora marcado por grandes nomes e qualidade técnica impecável. 

11.22.63 é uma minissérie baseada no livro homônimo de Stephen King, aqui no Brasil lançado como “Novembro de 63”, a data faz referência ao evento histórico que mudou o rumo, não apenas da nação americana, mas do mundo como um todo; o assassinato do presidente John F. Kennedy no terceiro ano de seu mandato. E não são poucas as teorias da conspiração que pairam sobre o caso, teorias essas geralmente envolvendo mafiosos renomados, até o próprio FBI em um golpe interno. Apesar de haver um assassino confesso,  Lee Harvey Oswald que recebe grande destaque na série, o famoso caso parece ser reaberto com determinada frequência pela industria cinematográfica, mas não como vemos nessa série, que aborda o fascinante tema das viagens no tempo.

James Franco, nosso primeiro nome de peso, interpreta Jake Epping, um professor de inglês de uma pequena cidade do Maine. Recém divorciado e um tanto quanto perdido, Jake é surpreendido quando seu amigo Al (Chris Cooper), dono de uma infame lanchonete, conta sobre um portal no tempo dentro do seu próprio armário de dispensa. Jake, relutante, acaba dando ouvidos e quando adentra o local, percebe que está de volta ao ano de 1960. O interessante é que a série não se preocupa em tratar sobre a ciência envolvida nisso, mas passa como algo da cabeça do seu idealizador, Stephen King, famoso por esse tipo de situação fantástica que acaba encontrando um cotidiano simples. Basicamente Al convence o professor de que ao salvar Kennedy de seu assassinato, o presente seria melhor, por uma sucessão de fatos apresentados como o conceito de efeito borboleta. Apesar da falta de ciência para justificativas, a plot é sólida e as leias que vigoram para esse tipo de viagem no tempo apresentada, funcionam de maneira brilhante. Os paradoxos estão lá e você tem uma sinistra força agindo quando algo está prestes a ser mudado, um tom místico que contrasta muito bem com os eventos históricos da série. Jake aceita a missão, mas ao voltar para o passado, percebe que as coisas são sempre maiores do que parecem; adaptação, envolvimento de pessoas externas, ser alguém diferente em uma outra época, cujo qual você não havia nascido, é tão árduo quanto as investidas do passado não querendo ser alterado. E durante oito episódios, acompanhamos a epopeia do personagem em sua tentativa de completar tal missão. A trama é bem amarrada, beira um drama em muitos momentos, culminando em um desfecho justo.

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A produção comandada por J.J. Abrams é tecnicamente um colírio para os olhos , os eventos históricos foram reconstruídos por meio de fotografias e referências da época, logo as similaridades impressionam e são o carro chefe da série: Figurinos, cenários, carros, o próprio estilo de vida, tudo está lá como deveria, passando a sensação de um passado sólido e verdadeiro. Como se a real história que já conhecíamos se desenrolasse bem diante dos nossos olhos. James Franco esbanja competência e casa muito bem com o elenco de apoio que traz nomes como Sarah Gadon e Josh Duhamel. Então se você é entusiasta da história ou simplesmente um fã de viagens no tempo, terá um prato cheio em mãos. Vale ressaltar que alguns conceitos sobre voltar ao passado são tratados de maneira inédita e original pela série, garantindo atenção plena do espectador até o final.

Trailer:

Compre o livro:

http://www.livrariacultura.com.br/p/novembro-de-63-42146656

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!