Terror Psicológico: Inconsciente Revelado

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“Quando foi lançado em 1999, o primeiro game da franquia Silent Hill trouxe um gênero praticamente novo para os games, o terror psicológico. Na época tal vertente ainda era pouco difundida em qualquer uma das mídias e ainda hoje poucos estão familiarizados com o conceito ou não entendem suas implicações. Sempre estive engajado com esse conteúdo e sempre quis falar um pouco sobre. Agora tenho o local e tentarei o fazer de maneira clara e compreensível para todos, afinal é um assunto complexo, focarei em algumas obras que trazem o tema e devo adiantar que é uma matéria incomum às outras, mas pelo interessante assunto, sugiro que acompanhem.”

 

Introdução

Ao final do século XIX, Sigmund Freud mudou a história da psiquiatria moderna ao apresentar seu conceito de psicanálise, teoria essa que tinha por intuito estudar processos mentais para o tratamento de distúrbios psíquicos. Freud em sua jornada pela psiquê humana incorporou vários resultados ao estudo e uma das suas ideias principais foi a do “inconsciente”, tema já trabalhado antes, mas que ganhou seu verdadeiro formato pelas mãos do médico. Tais conceitos abriram um gigantesco leque sobre nosso funcionamento mental e algumas revelações perturbadoras sobre aquilo que somos, despertaram o interesse de literários, cineastas, artistas, produtores e assim o assunto transcendeu os livros de medicina e tem sido utilizado em algumas mídias, ainda que não seja tão difundido. E Silent Hill é um dos casos que podemos encontrar esses conceitos de forma quase explícita, principalmente quando falamos do segundo game que devo abordar aqui, junto com outros exemplos. Primeiramente devemos conhecer os conceitos propostos por Freud na divisão da personalidade e são eles:

Id: Faz parte do subconsciente e é responsável por armazenar nossos desejos, líbido, impulsos, vontades. Tem por intuito aliviar nossas tenções, custe o que custar.

Ego: Enquanto o Id é irracional e ignora a realidade na busca pelos desejos, o ego impede que isso seja feito de forma impulsiva, mediando tais impulsos e os situando na realidade que vivemos. Logo podemos dizer que o ego é racional e através dele, atuamos na realidade da devida maneira. Um equilíbrio entre razão e emoção que controla o Id.

Superego: Nos acompanha desde cedo e é responsável por assimilarmos as regras, sejam elas aquelas impostas pelos nossos pais perante um castigo ou para o próprio convício social, leis e etc. Aqui estão contidas questões como moralidade e consciência.

 

Como o ego é responsável por nossa adaptação à realidade, ele trabalha com alguns “mecanismos” para garantir, satisfatoriamente, que nossa interação com o real não seja estressante e conturbada quando passamos por situações que abalem nossas bases de percepção ou estrutura mental; tais como traumas, culpa, verdades impróprias, acidentes, grandes perdas. Todos esses citados são potencialmente capazes de acionar esses “mecanismos” para aliviar a dor e um desses mecanismos é o “de defesa”. Teoria também proposta por Freud os “mecanismos de defesa” são vários, entre eles: Compensação, fantasia, projeção, isolamento, negação, entre outros. Partindo de toda essa base, posso entrar no assunto e falar melhor sobre eles. Escolherei uma obra para tratar em cada tópico, recomendando outras ao final, para não me estender tanto.

 

Terror Psicológico nos Games

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Silent Hill 2

Como havia dito antes, Silent Hill 2 incorpora todas essas características abordadas na introdução. Sendo breve na trama, o protagonista da história recebe uma carta de sua falecida esposa Mary, onde ela pede para encontrá-la na cidade de Silent Hill, acometida por uma doença, Mary falecera há 3 anos. James consciente de tal fato está convencido de que a encontrá e a salvará daquilo. Aqui já temos dois “mecanismos de defesa” evidentes. A negação, onde o indivíduo se recusa aceitar o que aconteceu como forma de suprimir a dor causada por um trauma ou culpa, no caso do protagonista do jogo, ambos. James que viu sua esposa morrer dolorosamente, ignora completamente essa premissa real e parte para cidade em busca de Mary, logo, outro mecanismo entra em cena; o da fantasia, aqui o indivíduo cria e vive uma situação não condizente com a realidade em busca de aliviar o peso sobre como as coisas realmente são. No caso de James, acreditar que pode salvá-la de alguma forma, além da fantasia de uma cidade assombrada por criaturas e cenários em constante mudança. Mas para justificar os monstros, temos outro mecanismo em ação, a projeção; aqui o sujeito atribui seus próprios valores negativos à outras pessoas, James projeta sua culpa de forma tão intensa que acaba criando monstros que o perseguem. Várias outras análises poderiam ser tratadas aqui, portanto, esse é o jogo que recomendo para adentrarem no assunto.

Apesar de não serem muitos, outros jogos abordam o tema, tais como: “Franquia Silent Hill, Rules Of Roses, Fatal Frame, Siren, Alan Wake; entre outros.”

 

Terror Psicológico no Cinema

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Jacob’s Ladder (Alucinações do Passado)

Filme de 1990, pouco divulgado e conhecido. Alucinações do Passado conta a história de Jacob, um soldado que retorna do Vietnã após um tenebroso conflito e ao tentar se adaptar novamente em sua antiga vida, acaba sofrendo de alucinações e dissociações que logo nos remetem aos mecanismos de defesa Freudianos, inconscientemente o protagonista se perde entre realidade e ilusão, não distinguindo o que realmente está acontecendo, situação essa impulsionada pela perda do seu pequeno filho e pelos próprios horrores da guerra. Traumas e culpas tão grandes que acabam sobrecarregando o ego, lançando o protagonista em um inferno real, repleto de monstros e moléstias. Projeções, fantasias e negação acabam por piorar o estado mental do personagem e os espectadores do filme o acompanham durante esse sofrimento. Obra mais que recomendada para os entusiastas e iniciantes do assunto.

Outros filmes que abordam o tema: “Psicose, O Iluminado, Repulsa ao Sexo, O Inquilino, Sessão 9, Cisne Negro.”

 

Terror Psicológico na Literatura

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O Iluminado

Obra mais que consagrada de Stephen King, o livro traz a história de Jack Torrance, um escritor e ex-professor de literatura que consegue o emprego de zelador no hotel Overlook, esse prestes a fechar suas portas para temporada de inverno. Jack, sua esposa e seu pequeno filho Danny, passam toda estação isolados no hotel; culminando em uma desastrosa situação. Jack tem sérios problemas com álcool e auto-controle, levando-o a provocar diversos incidentes; como quebrar o braço do seu próprio filho e ser despedido por agredir um aluno, desempregado e sem inspiração para escrever, o ex-professor vê nessa oportunidade de isolamento, em um belo hotel, a possibilidade de terminar sua peça. Apesar da natureza mística do lugar que inclina Jack à loucura, o próprio protagonista desenvolve isso dentro de si. Sua maneira de agir e as diversas consequências ocasionadas, trazem à tona a consciência de culpa e inferioridade, logo os mecanismos são acionados e potencializados pelo isolamento no ambiente. Jack fantasia sobre os tempos de ouro do hotel, onde ele era um sujeito querido e apreciado por todos. Além de negar o fato do seu fracasso como pessoa, situações cognitivas que fogem ao controle do próprio ego e mais uma vez culminam em desastre.

Quando falamos de literatura, há sempre uma amplitude maior na divulgação do tema. Alguns autores para serem considerados são: “Edgar Allan Poe. H.P. Lovecraft, Isaac Asimov e o próprio Stephen King.”

E finalmente encerro o post com um dos meus breves contos do qual escrevi inspirado por essa forma de horror. Vocês podem observar todas as características psíquicas abordadas aqui nessa história e espero que gostem. (copyrighth: Todos os direitos reservados Renan Gonçalves).

Conto do mergulhador

 

SILENT HILL 2 TRAILER:

 

ALUCINAÇÕES DO PASSADO TRAILER:

 

COMPRE O ILUMINADO:

http://www.livrariacultura.com.br/p/o-iluminado-30369249

 

PARA SABER MAIS:

http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/mecanismos-defesa.htm

http://www.mentalhealth.com.br/enfermagem/mecanismo_defesa.htm

 

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Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!