The Night Manager e o Retorno da Espionagem Clássica

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“Quando falamos em obras profundas de espionagem, logo pensamos sobre os clássicos de outrora, pois olhando para o presente, não temos significativos trabalhos que sejam alternativas aos filmes de James Bond. Então a AMC, em parceria com a BBC, resolveu mudar esse cenário, adaptando uma obra do mestre literário da espionagem, John Lé Carré, resultando em uma ótima série.” 

 

Quando pensamos em espionagem, é quase impossível não imaginar James Bond, em suas peripécias, pelos vários filmes da franquia 007 que marcam gerações desde os anos 60. Porém não são os únicos trabalhos que definem o gênero. John Lé Carré, escritor britânico, trata o tema em seus livros de forma séria e complexa, contemporâneo da guerra fria, teve muito para se inspirar trabalhando como agente secreto no MI6 (serviço secreto britânico), inclusive tendo sua identidade revelada por um agente duplo. Sendo forçado a deixar o cargo, o espião incorporou em seus livros às emaranhadas tramas de espionagem das quais esteve envolvido. E várias de suas obras foram adaptadas para o cinema; citando as mais recentes, “O Homem Mais Procurado” (2014) e “O Espião Que Sabia Demais” (2011). Após um tempo sem adaptações do autor, os canais AMC e BBC uniram forças para trazer através de uma série, um dos seus romances pós guerra fria mais famosos, “The Night Manager”.

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A trama tem início em 2011, durante as manifestações no Egito; evento conhecido como primavera árabe. Johnatan Pine (Tom Hiddleston) é gerente noturno de um hotel no Cairo. Lá ele se envolve com uma hóspede, Sophie Alekan, que lhe revela informações sobre um golpe, que seria viabilizado pela venda de armas do traficante Richard Hoper (Hugh Laurie da série House). Uma tragédia acontece e Pine, a principio relutante, é recrutado por uma agente do serviço secreto britânico para desmantelar a quadrilha de Richard. Infiltrado, o gerente trabalha como agente duplo, ao tempo que se relaciona com o traficante e seu bando, busca provas para incriminá-los. Como suporte de elenco, temos a bela australiana Elizabeth Debicki, vivendo Jed. Acompanhante de Hoper e que acaba se envolvendo com Johnatan, aumentando ainda mais a tensão da trama. Trama essa bem construída, grandes conspirações são retratadas de maneira conexa, crível e atual. Eventos que provavelmente estão ocorrendo no mundo agora mesmo, são expostos pela série. E essa realidade é uma característica marcante nas obras de Lé Carré, afinal a verdadeira espionagem não se passa no mundo de explosões e peripécias inimagináveis, ao contrário disso, é situada na política, nas relações internacionais e diplomáticas. Algo bem mostrado pela série e que cria uma tensão enorme no espectador. Belas locações e grande qualidade técnica marcam a produção, resultando em um excelente material.

The Night Manager está distribuída em seis episódios. Tal como Vinyl e 11.22.63, teve início em Fevereiro e essas três séries, até agora, são as mais originais que encontrei no decorrer do ano, logo recomendo que vejam.

 

Para saber mais:

https://pt.wikipedia.org/wiki/John_le_Carr%C3%A9

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!