X-Men: Apocalipse e a Conclusão da Saga

x-men-apocalypse-2016

“Com uma grande produção e elenco acertado, X-Men: Apocalipse encerra a nova trilogia iniciada em 2011. Confira nosso Review!”

A nova trilogia cinematográfica de X-Men chega ao seu final e agora percebemos que a Fox precisou de três filmes para tratar origens e supostamente tentar acertar a cronologia envolvendo a trilogia antiga. Seja essa origem dos personagens ou conceituais; o fato é que a produtora investiu em um novo formato, sem utilizar de um reboot total, como fez em Quarteto Fantástico. X-Men Primeira Classe (2011) trouxe as raízes dos personagens “chave” na idealização da equipe, Professor (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender). Enquanto X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2013), tratou dos conceitos que regeriam a nova linha temporal dos mutantes, através dos frutos da viagem no tempo de Logan (Hugh Jackman).

O filme tem sua cena de abertura no antigo Egito, onde somos apresentados ao vilão Apocalipse, conhecido como En Sabah Nur por seus seguidores. Pela sequência podemos perceber como os roteiristas tentaram associar o conceito de divindade com mutação; fazendo do vilão o próprio deus vivo para os antigos e vemos esse conceito religioso ser desenvolvido pela trama, que não consegue apresentar isso de maneira profunda. Temos algumas alusões aos Cavaleiros do Apocalipse e ao Armagedom cristão, mas o conceito é pouco trabalhado, como se deixassem apenas nas entrelinhas que as escrituras estariam se referindo ao próprio Nur. Talvez por questão de polêmica, não se aprofundaram no tópico. A origem do vilão também não é revelada, mas falo um pouco dela nesse link. A trama é situada em 1983; Charles transforma sua mansão em uma escola para mutantes que se encontra em plena atividade, vários alunos estão matriculados e logo temos parte do nosso Cast principal tirado direto daí, incluindo Ciclope (Tye Sheridan) e Jean Grey (Sophie Turner). Mais uma vez abordando origens; o longa prossegue apresentando novos personagens, entre eles: Noturno (Kodi Smit-McPhee), Tempestade (Alexandra Shipp) , Anjo (Ben Hardy) e Psylocke (Olivia Munn). E falando sobre origens, o conceito da equipe “X-Men” surge nesse filme, até então, a escola não tinha por objetivo o treino dos mutantes contra possíveis ameaças, mas tudo muda com o retorno de Apocalipse. O vilão desperta com intuito de purificar a terra, através da total destruição, onde somente os mais fortes sobreviveriam. Para seu objetivo, ele reúne uma equipe “Os Quatro Cavaleiros”, são eles: Anjo, Tempestade, Psylocke e Magneto (Michael Fassbender). Fassbender que retorna ao papel de Erick, entrega uma atuação mais sólida para o personagem; motivado por uma terrível perda, Magneto decide se unir a causa de Nur.

X-Men-Apocalypse-Movie-Wallpaper-18

O vilão, que teve sua aparência criticada durante suas primeiras aparições na mídia, é interpretado por Oscar Isaac (O Poe Dameron de Stars Wars: O Despertar da Força); o ator tenta passar a densidade do mutante, porém é comprometido pelo figurino pesado e maquiagem complexa, a sensação muitas vezes é de um personagem travado e estático quanto as feições. Mas ainda não constitui um vilão ruim, pelo contrário, o problema real é a maneira como foi utilizado na trama; os roteiristas tentam trazer, simultaneamente, diversos arcos complexos para história e faz isso através de breves vislumbres, vide a aparição do Wolverine. Por fim, nenhum arco é apresentado de maneira convincente e o retorno do vilão acaba sendo um pouco desfocado pelos outros eventos da trama. Embora isso quebre um pouco a continuidade, o longa apresenta um bom ritmo geral e o elenco carismático é peça chave para isso.

James McAvoy veste muito bem o personagem, o ator escocês esbanja cordialidade e apesar de jovem, consegue incorporar com maestria a essência do Professor, o carisma e cuidado com seus alunos é refletido até em seu tom de voz. Sua química com Fassbender também é evidente desde Primeira Classe, apesar do encontro dos dois ser breve no longa, ainda temos a sensação de estarem ligados o tempo todo. Jennifer Lawrence retorna ao seu papel de Mística, mas pouco aparece caracterizada como a mutante; o que compromete um pouco a filosofia da personagem. Sophie Turner (A Sansa Game of Thrones) entrega uma Jean Grey jovem, mas que já apresenta os traços de seu verdadeiro poder e personalidade. O restante do elenco também é acertado e mais uma vez o destaque fica com Mercúrio (Evan Peters), que protagoniza uma das melhores sequências do longa, o carisma do ator é inegável e dirigido por Bryan Singer, que posiciona suas câmeras como ninguém, consegue surpreender nessa tomada carregada de efeitos visuais; efeitos esses que estão em abundância por todo o filme. Apesar da discussão acerca da utilização de computação gráfica, acredito que o uso aqui contribua para narrativa em quase todos os casos, principalmente na representação dos poderes e habilidades e na destruição que faz jus ao fim do mundo.

X-Men-Apocalypse-2016-Wallpaper-Sty16

Apesar da “aura ruim” que paira sobre o terceiro filme de grandes franquias, pensamento esse que é trazido no filme como forma de piada e referência à X-Men: O Confronto Final (2006), não considero o novo longa ruim, mas sim um complemento necessário de uma nova fase que teve início em 2011 e apesar de todo o problema cronológico que assombra a franquia; essa nova fase tenta contornar isso, resultando em um formato totalmente novo e atual. Um grande e carismático elenco já está consolidado e as origens apresentadas. Cabe a Fox utilizar isso a seu favor nos próximos lançamentos que certamente virão.

 

Trailer Oficial:

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!