Sounds Awesome: David Matthews Band

Charlottesville, April 17, 2009 - The Dave Matthews Band begins the first of a two night run at John Paul Jones Arena on Friday night. photo Ashley Twiggs

“Há algum tempo tenho pensado sobre uma publicação musical que remetesse à uma série, sempre atento quanto à qualidade; algo indispensável para o leitor, fui acometido por muitas duvidas com relação ao formato e conteúdo. Foi então que um bom amigo propôs a confecção de um post com viés musical e logo quando conferi o texto, soube que era exatamente aquilo que buscava. Então inauguro essa série de publicações (sounds awesome) com uma matéria acertada sobre essa excelente banda.” 

Algumas emoções via Dave Matthews Band.
Por João Motta*

* João Motta é viajante de espírito, geólogo e cientista por profissão. Amante de música, boa comida e paisagens. Já jogou um pouco de video- games, viu muitos filmes, mas hoje em dia está mais concentrado em outras coisas, infelizmente.”

A Dave Matthews Band é uma banda em geral pouco conhecida, mas com alguns sucessos difundidos como as famosas Crash Into Me e The Space Between. que muitas vezes ocupam as listas de músicas de apaixonite (aguda, desenfreada, contida ou tardia). Sim, são pouco conhecidos diante de sua grande produção e variados temas.

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A DMB nos anos 1991, em seu início.

Eles surgiram no cenário musical nos anos noventa e, como já diz o nome, liderado pelo frontman Dave Mattews, sujeito de voz firme e emocional, com aspecto interiorano e que impinge uma sonoridade bastante diversificada naquilo que produz.

Dave é sul-africano e costuma tecer comentários e levar os temas de suas músicas ao modo de como as pessoas se tratam e ocasionalmente à forma como as colonizações trucidaram as comunidades nativas, como canta em Don’t Drink the Water, em minha interpretação.

 

Eh heee – um pouco das experiências de Dave com nativos africanos e música.

Curiosamente Dave já atuou em alguns filmes, como coadjuvante e relativas participações mais amplas, como em Meu Melhor Amigo (2005), e Where the red fern grows (2003) , com algumas produções mais recentes. Eu particularmente gosto do segundo, é uma história de aventura repleta de valores interessantes, mas confesso que se não conhecesse a voz e a face dele em vista da exposição à sua música dificilmente teria notado ele no filme. Não se pode ser bom em tudo, acredito nisso.

Diversos integrantes compõem e já compuseram a banda, mas os destaques são o violonista Tim Reynolds, com suas composições melodiosas e riffs impecáveis, as notas de piano sempre presentes e os instrumentos de sopro, que sempre mudam de músico. Como uma banda de estilo indefinido pela crítica, que perambula pelo folk, indie, world-music, já que apresenta fusões de vários estilos que incluem o jazz, blues e os regionalismos. É notável a grande elaboração dos arranjos dos diferentes instrumentos e não espere encontrar discos como ‘Live at the Madison Square Garden’ ou ‘O2 Arena’ – não é o estilo deles. Em contrapartida os shows mais enérgicos são em lugares off do cenário musical – como o Folsom Field em Boulder, Colorado (USA). O disco Live in Rio, gravado no Rio de Janeiro em 2010 é bastante enérgico e recomendo sua audição, em especial da versão de So Damn Lucky, mas isso vem mais à frente.

Para uma observação acústica – o disco Live at Radio City com participação do Tim Reynolds, é obrigatória e conta com um DVD gravado, em que o Dave faz algumas piadas, conta alguma parte das histórias e também mostra um pouco de si. Neste disco o Tim Reynolds promove um espetáculo de violão.

Uma retrospectiva dos discos é difícil pois há vários momentos da banda, muitas vezes com diversificadas temáticas e até mesmo momentos da própria vida do DM, que ficam sempre traduzidas na música. O disco Everyday, de 2001, tem uma levada bastante popular e provocou grande parte da disseminação do trabalho da banda.

O disco mais recente, Away from the World , que já tem seus 4 anos é bastante diferente do restante da produção e é marcado por canções mais calmas, até experimentais, que diferem das levadas mais rock ou até country de outros momentos. Este disco se apresenta como uma operação de calmaria e profundo pensamento, com músicas serenas, como Gaucho, If Only e Snow Outside que recomendo para aqueles em momentos de serenidade e acompanhados (ou não). Particularmente considero este o disco mais maduro deles.

Um pouco da produção do disco Away from the world.

Um aspecto curioso da banda é a frequente gravação de discos ao vivo, que são numerosos -20 discos oficiais, 36 da série DMB Live Trax e 26 de outras séries. As apresentações são intensas e pasmem, longos, já que em geral as músicas da DMB são de até 4min (ou mais) e eles apreciam extensões ao vivo. Uma visita à página da banda com a listagem é recomendada pra você averiguar o quanto eles apreciam as atividades ao vivo e eles estão, quase sempre em turnê.

Embora se encontrem em um lapso de 4 anos, a produção deles é extensa e não falta material bom para se ouvir, assim, como já os conheço desde 2005, aproximadamente, já acompanho a produção e opto por passar um pouco do que já ouvi, entendi e senti com a música deles por meio de algumas sensações que as músicas me causam, assim talvez o leitor conheça mais do âmago da banda.

Segue uma lista com quatro tipologias de emoções para conferir em mídias de música gratuitas, como o Spotify. Preferência para as versões ao vivo, geralmente as mais emocionadas, mas as originais não são nada difíceis de se encontrar.

• Esperançoso
o So Damn Lucky (ao vivo no Rio de Janeiro, 2010): Nessa versão ocorre uma repetição grande do riff da música, você vai achar no começo que é um exagero, mas quando ouvir, se estiver aberto à musica, vai se sentir energizado. Esta música é originalmente só do Dave, do disco Some Devil de 2003.

o Snow Outside (de Away from the World, 2012): Olhe o título da música… pode pensar duas vezes, mas quando ouvir com atenção a poesia vai aparecer.

Animado, as coisas vão acontecer e vai ser legal
Two Step (disco Crash, 1996)

What would you say? (disco Under the table and dreaming, 1994)

Gaucho (disco Away from the World, 2012)

Louisiana Bayou (Stand Up, de 2005)

Alligator Pie (Big Whisley and GrooGrux King, 2009)

Cara, bateu uma paixão…

Crush (do disco Before these crowded streets, 1998) – soul/funk e muita voz

Angel (disco Everyday, 1996) – Versão do Folsom Field)

If Only (Away from the world, 2012)

Nossa, que bad, mas ainda acredito que consigo aprender algo com isso tudo ou ‘As melhores acho que pus aqui’.

Gravedigger (do disco Some Devil do Dave, 2003). Esta versão do Live at Radio City é completamente emocionante.

The Stone (disco Before these crowded streets, 1998)

Funny the way it is (originalmente do disco Big Whisley and GrooGrux King, 2009)

What you are (disco Everyday, 1996)

Estou meio acelerado/debuff

Time bomb (originalmente do disco Big Whisley and GrooGrux King, 2009)

Old dirt Hill (Stand Up, 2005)

 

Eles tem (muitas) músicas mais, porém, são estas aquelas que recomendo pra quem quer experimentar o som da banda, que é muito bem produzido, carrega histórias interessantes e tem uma musicalidade diferenciada, tanto que não é muito fácil encontrar algum outro grupo que faça algo similar. Alguns discos são recorrentes dentre as músicas escolhidas acima, mas não se contente com eles, vá para os outros também.
Aqui vai uma playlist no Spotify  que tem o conteúdo citado no texto, também com repetições de acordo com a ordem de citação, assim fica mais fácil pra você encontrar. São mais de 10h de música, já que listei alguns ao vivo – não tenha medo.

Esperançoso, espero contribuir para o acervo musical dos leitores e estou à disposição para os comentários.

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!