Invocação do Mal 2: Review

“Em 2013, Invocação do Mal (The Counjuring) chamou atenção da crítica por reformular e resgatar, ainda que de maneira branda, o gênero terror. Os fãs do estilo logo voltaram seus olhos para o jovem diretor James Wan, que já entregara antes, ótimas fitas em Sobrenatural (Insidious) e Sobrenatural: Capítulo II (Insidious: Chapter 2). Mas será que o diretor consegue inovar mais uma vez em seu novo filme? Confira a crítica.”

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Não é segredo algum que James Wandiretor à frente da franquia Invocação do Mal, tem agradado ao público e a crítica na maneira que conduz e idealiza seus longas. Temos uma “mitologia espiritual” criada especialmente para o universo onde ocorrem suas histórias. Mitologia essa, que já é visível em Sobrenatural (2010), franquia que já está em seu terceiro capítulo, embora James Wan, assine apenas a direção dos dois primeiros. Sobrenatural constrói sim as diretrizes do universo paranormal que regeriam seus filmes futuros, porém o faz sem preocupar-se com ligações reais ou casos verídicos. Logo, Invocação do Mal surge buscando pautar esse universo em nossa realidade, tratando de supostos casos existentes. Embora eu tenha conhecimento sobre tais casos, não entrarei no mérito da veracidade com qual o diretor tratou as histórias; afinal, como crítico, devo analisar o filme em sua proposta cinematográfica.

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O longa tem início com o já conhecido casal Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson), investigando a famosa residência AmityvilleCaso do qual realmente estiveram envolvidos. O ano é 1976, e a fotografia faz jus ao momento. Uma belíssima e assustadora tomada, logo no plano inicial, atravessa uma das famosas janelas duplas no andar superior da casa, iluminadas por feixes solares de gelar a espinha; uma referência clara para quem já conhece a franquia de filmes “Amityville”. Lorraine, em uma espécie de sessão espírita, deixa seu corpo e adentra o mundo espiritual, tão trabalhado por Wan. Lá encontra “algo” que teria envolvimento com o caso principal abordado pelo filme, conhecido como Enfield Portergeist, onde você pode conferir o real ocorrido nesse post. Após o plano introdutório, o longa vai para Inglaterra e nos apresenta à família envolvida nos eventos. Mais uma vez uma criança é o ponto chave das manifestações. Nesse caso, a garota Janet. James Wan, novamente, mostra sua mão para dirigir crianças aqui. A história se desenrola no final de 1977 e temos uma representação precisa do momento. A fotografia, os cenários em toda sua complexidade, as referências musicais e programas de TV. Tudo parece certo, cada item em cena. Algo similar foi feito em “Annabelle”, onde os programas na televisão, alertavam sobre o perigo das seitas que realmente atuaram na época. Wan utiliza muito bem desse artifício para criar um clima verossímil e situar o espectador dentro da trama, do qual ele pode identificar seu próprio universo. Com uma série de eventos sobrenaturais ocorrendo com a família, o incidente vai parar nas mídias locais e logo o casal Warren é requisitado pela igreja, para intervir no caso.

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A narrativa é o ponto alto e inovador do filme. Wan finalmente consegue desenvolver uma química visível e natural entre o casal, algo pouco explorado antes, e que até sugeria um ar de “casal genérico.” E o diretor consegue esse feito, trabalhando muito bem as relações afetivas entre Ed e Lorraine. Tal qual a preocupação com o bem estar um do outro, frente ao arriscado modo de vida que ambos levam, os objetivos envolvendo a ajuda espiritual concedida pelo casal, etc. E essa característica se estende aos outros personagens do filme, temos a família “atormentada” em questão, onde o diretor aprofunda os laços familiares e os apresenta de maneira tão frágil, que nos convence e amedronta. Ao tempo que também insere e desenvolve uma relação do casal dentro dessa família, reafirmando a maneira caridosa da qual levavam suas vidas. Temos várias cenas que evidenciam essa evolução dos personagens de James Wan, inclusive uma relação quase paternal, por parte de Ed para com Janet e seus irmãos. Tudo é muito natural em cena. O que traz algo diferente para esse filme em relação aos anteriores do diretor; o distanciamento da redundância de formatos, Sobrenatural, Sobrenatural: Capítulo 2 e Invocação do Mal, parecem ser consubstanciados. Compartilham de um formato quase idêntico, o que gera certa redundância, apesar da fórmula assertiva. Invocação do Mal 2, quebra esse estigma, ao trazer as melhores características dos filmes anteriores e uma evolução significativa nos pontos mais carentes. Também se faz necessário apontar que são poucos os filmes do gênero horror, que conseguem desenvolver seus personagens de maneira profunda. Essa característica presente no longa, reafirma ainda mais o toque autoral que o diretor entrega para suas fitas e o consolida como um dos grandes nomes do cinema atual.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!