10 Filmes para entender/se apaixonar por cinema (Parte 1)

Como cinéfilo declarado, minha paixão pela sétima arte é algo que caminha comigo desde muito cedo. É natural que com o tempo, o gosto amadureça e você decida navegar por outros mares, correr riscos em diferentes gêneros, nacionalidades e linguagens cinematográficas. Essa experiência edifica sua paixão, ao tempo que evita que você caia na redundância do entretenimento barato, raso, superficial. Portanto essa lista sugerida por mim, traz os filmes responsáveis pelo meu processo de amadurecimento, por minha paixão pontual e também pela minha compreensão desse universo que pode ser tão rico, e que até mesmo, pode garantir que você não saia o mesmo da experiência. Claro que não devemos ser anacrônicos quanto as fitas listadas aqui, há uma necessidade de nos situarmos na época da ocorrência de cada longa, com finalidade de aferir o impacto do filme na sociedade e na cultura, contemporâneas aquele momento. Precisamos ainda compreender que a linguagem utilizada talvez fuja e muito da qual estamos habituados, onde as produções atuais costumam usar e abusar dos 24 frames por segundo em tela, hoje os paradigmas são pautados na velocidade, cada dia uma narrativa diferente surge e se revela ainda mais descompromissada, logo o espectador perde o feeling para produções mais complexas e que utilizam de um pensamento crítico para passar seu conteúdo. Diante dessa premissa, podemos então começar!

City Lights 1931 (Luzes da Cidade)

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Luzes da Cidade é uma produção de Chaplin, que se passa na transição do cinema mudo para o falado. Apesar de ser o filme mais antigo da nossa lista, na década de 30 as produções faladas já estavam em alta, e ainda sim o longa, que é mudo, conseguiu se consolidar como um dos melhores da carreira do diretor. Trazendo no elenco a talentosíssima Virginia Cherrill, luzes da cidade é o típico conto da florista e do vagabundo, a narrativa foge e muito do “pastelão” habitual e procura contar, de maneira muito sensível, uma história romântica. A própria abertura nos alerta sobre o gênero “Uma comédia romântica em pantomima”. E sim, traz uma dramática bem desenvolvida, ao tempo que não perde o humor tão pontual. Vale lembrar também que o filme tem um dos finais mais sensíveis da história do cinema, seu viés positivo também foi bem vindo, devido à grande depressão que o país sofrera com a quebra da bolsa em 1929. O longa também aparece com frequência na lista dos 10 melhores filmes de vários diretores renomados.

It’s a Wonderful Life 1946 (A Felicidade Não Se Compra)

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Com o título absolutamente inspirador, até mesmo para nossa versão brasileira, “A Felicidade Não Se Compra“, lançado na década de 40, também é munido de uma mensagem de grande positividade, algo que se fez necessário para uma época dos horrores pós-guerra, onde um dos principais contatos com a arte, por parte da sociedade, foi o cinema. Logo as pessoas frequentavam esperando serem tocadas por aquilo que veriam, e é fácil imaginar qual foi a comoção provocada por esse longa em um momento tão angustiante de nossa história. O filme é de temática natalina e todo ano, nessa época, é exibido nos EUA. O elenco conta com James Stewart, um dos atores mais requisitados daquele momento e que contava com um carisma contagiante. Mais uma vez reforço sobre a mensagem positiva do filme, um alento para ser visto e refletido durante o natal. Um alerta! É possível que caia aquela pequena lágrima quase despercebida, pois a trama nos leva a refletir sobre nossa própria existência. Em suma, é um clássico de natal e para os enganados, pode até passar como produção “água com açúcar”, mas é uma obra de grande profundidade do diretor Frank Capra. Vale dizer que você pode encontrar em versões preto e branco e também colorido digitalmente.

A Street Car Named Desire 1951 (Uma Rua Chamada Pecado)

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Dirigido pelo famosíssimo diretor da Braodway, Elia Kazan, “Uma Rua Chamada Pecado” foi baseado em uma peça teatral, também conduzida pelo diretor. O filme de 1951, trazia Marlon Brando e grande parte do elenco original que compunha a peça. E podemos identificar esse “viés teatro” no que diz respeito às atuações e aos poucos cenários onde tudo se desenvolve, trazendo a história de Blanche DuBois, interpretada pela brilhante Vivien Leigh, que ganhou o Oscar pelo papel. Blanche após passar pelos últimos momentos da ruína financeira de sua família sulista, vai morar com sua irmã Stella em Nova Orleans, essa casada com Stanley Kowalski, um operário rústico, do qual seu jeito, serviu de influência no mundo real para o comportamento dos jovens nos anos 50. Blanche visivelmente passa por diversos transtornos mentais, por conta de eventos passados, que o longa revela gradativamente. Dentro da casa de sua irmã, logo ela demonstra repulsa pela conduta de seu cunhado e pelas condições da qual vivem, condições essas que muito se diferem das quais a garota estava acostumada. O filme de diálogos é marcado por suas discussões, quase sempre presentes, e consolida toda fama de Marlon Brando, que já antecedia produções como “O Poderoso Chefão”. É fácil sermos transportados para dentro da residência do casal, a intensidade da atuação do trio principal, também composto pela Kim Hunter no papel de Stella, inspira uma trama real e profunda. Vale lembrar que Kim Hunter, também ganhou o Oscar por melhor atriz coadjuvantemente.

Singin’ In The Rain 1952 (Cantando na Chuva)

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Ainda na década de 50, há um clássico imprescindível e um dos filmes mais otimistas já realizados, Cantando na ChuvaDirigido e estrelado pelo magnífico Gene Kelly, também responsável por parte das coreografias estupendas que vemos no longa. O filme trata da própria história do cinema, no momento da passagem do “mudo para o falado”, onde vários atores que até então nunca pronunciaram uma palavra em seus longas, tiveram vários problemas com relação as vozes. Alguns, inclusive, tiveram que ser dublados. O musical conta ainda com Donald O’Connor e Debbie Reynolds no elenco, bailarinos astuciosos. A história traz um romance entre um artista de cinema (Kelly), que passa por essa transição e tem que lidar com toda questão, e a atriz iniciante Kathy Selden; interpretada por Debbie. Toda composição técnica do filme é primorosa, a fotografia é cuidadosamente pensada, tudo em cena tem propósito e as coreografias são executas com uma maestria absoluta. O tipo de filme que recomendo até para quem não gosta de musicais.

Plein soleil 1960 (O Sol Por Testemunha)

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Partindo para década de 60, decidi passear um pouco pelo cinema estrangeiro e trazer um filme, franco-italiano, dirigido por um dos diretores franceses mais renomados de todos os tempos; René Clément, e também estrelado pelo galã da época, Alain Delon. “O Sol Por Testemunha” traz a história de Tom Ripley, um jovem que é enganado por seu parceiro em um negócio extremamente lucrativo. Tom, frente à situação, toma medidas ao tempo que assume uma postura da qual termina por ocasionar grandes consequências, culminando em um dos finais mais perturbadores da história do cinema. Alain Delon, como de costumedá uma aula de atuação durante cada cena. Também se trata de um filme de diálogos fortes, e que busca abordar o lado obscuro da mente humana e a prática de atitudes inimagináveis. O longa ganhou um remake em 1999, intitulado “O Talentoso Ripley“, trazendo Matt Damon como protagonista. Apesar da produção hollywoodiana, a fita original é insubstituível e por isso se faz presenta nessa lista.

 

A segunda parte da lista você encontra aqui.

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!