Street Fighter e os desafios da atual geração

O MAIOR DE TODOS OS TEMPOS

Desde o primeiro (e quase desconhecido) game da franquia, em 1987, Street Fighter tem moldado a cena de jogos de luta no mundo todo. Suas inovações e apostas sempre foram a vanguarda e lideraram um dos gêneros de maior sucesso no mundo dos vídeo-games. O ápice aconteceu em 1991, com o lançamento de Street Fighter II.

Três botões para chutes e três para socos, movimentos especiais, uma gama enorme de personagens com personalidades e histórias próprias, jogabilidade balanceada e várias outras características levaram o game ao topo do gênero. Street Fighter II é o maior sucesso da Capcom, vendendo mais de 10 milhões de unidades nos consoles.

Os jovens da década de 90 se conglomeravam em volta dos fliperamas, batalhando ficha a ficha em busca do mais forte. Eram criados laços com cada um dos 8, 12 e 16 (estereotipados) lutadores, rivalidades foram construídas e muitas horas foram deixadas no que foi a era de ouro dos arcades, e SF II era seu campeão.

 

STREET FIGHTER IV VAI DEIXAR SAUDADES, MAS NÃO EM TODO MUNDO

Street Fighter IV  foi um sucesso entre a comunidade competitiva, sendo o principal jogo da EVO e  Capcom Pro Tour, maiores campeonatos de jogos de luta do mundo, mas não tão foi bem visto entre os jogadores casuais. Sua jogabilidade tinha uma curva de dificuldade muito alta, afastando aqueles que só queriam sair na porrada, sem nenhuma ambição em ser Daigo Umehara.

Além disso, o lançamento de várias versões do mesmo game não agradou  a atual geração, algo normal nas gerações passadas. Ao todo foram lançadas 4 versões, que adicionavam novos personagens, cenários e balanceamento, mas por um precinho bem salgado.

 

HERE COMES A NEW CHALLENGER… A NOVA GERAÇÃO DE JOGOS DE LUTA

A geração atual de jogos de luta começou com duas apostas bem distintas: Killer Instinct e Mortal Kombat X.

Killer Instinct veio com uma proposta bem corajosa, ser liberado gratuitamente para todos com apenas alguns personagens e desenvolver temporadas, onde pacotes com mais lutadores custariam um determinado preço. O jogo é rápido, com belos gráficos e tem uma jogabilidade com uma boa curva de aprendizado. Já foram lançadas 3 temporadas  e a Microsoft pretende continuar com a formula.

Mortal Kombat X apostou na formula que fez reviver a franquia em Mortal Kombat (2011), o modo história. Nele podemos conhecer mais sobre os acontecimentos por trás do torneio, nos dando a chance de jogar com cada personagem disponível ao longo da campanha. Com gráficos melhores e três opções de estilo de luta para cada lutador, o game não fez feio e está entre os mais vendidos da atual geração.

 

RISE UP

 

Foi assim que Street Fighter V foi anunciado, com um trailer liberado na Playstation Experience de 2014. Exclusivo para o Playstation 4, o game prometia a perfeição após anos e anos de experiência por parte de seus desenvolvedores. Com a adição de V-Skill e V-Trigger, habilidades que tornam cada personagem mais único, gráficos ainda melhores e jogabilidade balanceada, o game gerou uma expectativa monstruosa.

Mas logo em seu lançamento, no dia 16 de fevereiro de 2016, os problemas apareceram. O game tinha um roster considerado pequeno, com apenas 16 lutadores, poucos cenários, sem o modo arcade (ausência mais criticada pelos fãs), servidores online cheios de problemas de latência, muitas funções desabilitadas e promessas a longo prazo, tudo isso para um game de preço cheio ($60 dólares). A crítica foi enfática, Street Fighter V não era um jogo pronto.

 

CORRENDO ATRÁS DO PREJUÍZO

A solução? Buscar em seus rivais a inspiração para melhorar.  O desenvolvimento de um modo história foi a primeira escolha, afinal, personagens tão carismáticos sempre vão render uma boa campanha e a geração de hoje está muito mais exigente com esse tipo de coisa. O produtores também prometeram conteúdo até o final de sua vida, como personagens, cenários, costumes e etc, todo esse conteúdo podendo ser liberado com pagamento em dinheiro real ou pontos conquistados no jogo. Trazer fã-favorites de volta a ação, como Alex, Ibuki e Urien também foi uma ótima escolha para chamar a atenção dos players mais antigos, aqueles que ficavam horas e horas praticando parry em Street Fighter III.

 

05…04…03…02… CONTINUE!

Street Fighter V está aprendendo ao poucos como ser um bom game de luta para a atual geração. Está longe de ser um game vanguardista como seus predecessores, mas também está longe de ser um game ruim. Nos resta esperar os próximos conteúdos que serão liberados em breve para concretizar se a franquia continuará ou não sendo a campeã dos jogos de luta. Hoje, ela é  apenas um humilde terceiro lugar.

 

Gilberto Amaral

Publicitário que adora contar e ouvir uma boa história. Viciado em tudo sobre a cultura pop, de Andy Warhol a Carreta Furacão.