3 animes sobre a vida que todos devem ver

É certo que como amante do cinema, sempre tive grande estima palas produções que tratam da vida, do cotidiano, das relações; e claro que temos inúmeros longas que o fazem de maneira brilhante no cinema. Mas estender essa característica marcante para outras praias sempre me pareceu impensável. Logo quando falamos em animes, é ainda mais complicado pensar sobre a inserção dessa temática madura, porém ao longo do meu garimpo dentro do gênero, vários foram os exemplos com os quais me deparei. E hoje apresento para vocês três animes escolhidos a dedo e que trazem um viés mais próximo do nosso cotidiano, tratando temas como vida, carreira, sucesso, relações, convivência. Animes que apesar de utilizarem de um ar de comédia para um escape, carregam consigo uma carga dramática muito grande.

Kimi ga Nozomu Eien 

eternidade

Lançado entre 2003 e 2004, o anime de título aproximado em português de “A Eternidade Que Você Sempre Sonhou” foi adaptado de um jogo, e não de um mangá. A breve trama se desenvolve entre duas temporadas, sendo a primeira mais significativa; contendo 14 episódios, e a segunda constituída por apenas 4. A história acompanha as adolescentes Suzumiya Haruka e Hayase Mitsuki; Haruka é a típica personagem do arquétipo meigo, sereno, tímido. Enquanto Mitsuki, sua melhor amiga, é independente e desinibida. Haruka se apaixona por um rapaz de sua escola, Narumi Takayuki, e apesar da timidez inicial, logo começam um relacionamento. Nesse primeiro momento, o trio principal mais Shinji, melhor amigo de Takayuki, todos do terceiro ano do ensino médio, se tornam grandes amigo. A relação de Haruka e Takayuki remete ao sentimento pueril do “primeiro amor.” E o anime utiliza e muito de vários aspectos “inocentes” na descoberta um do outro, para que o espectador crie um vínculo com aquele casal, mas esse primeiro momento descrito, logo é interrompido por uma interferência de trama. Haruka sofre um acidente, entrando em um coma que duraria três anos. E como todos podem prever, muito acontece nesse período. Takayuki desolado inicialmente, após um tempo, segue com sua vida e acaba se envolvendo com Mitsuki, melhor amiga de Haruka; ambos lutam contra a questão do passado ao começar um relacionamento, mas nutrem um forte e maduro sentimento mútuo. Maturidade também é um tema recorrente nesse segundo momento da trama, após o ensino médio, vemos nossos dois protagonistas, agora como casal, na difícil questão do trabalho e das decisões que permeiam a vida adulta. Quando finalmente juntos e depois de decidirem um grande passo, Haruka acorda do coma, completamente perdida com relação ao tempo e acreditando estar três anos no passado. Para preservar sua saúde mental, seus familiares, inclusive Takayuki, mentem para garota sobre o tempo que ela ficou em coma. Logo podemos imaginar todas as implicações que esse evento causa na vida de todos os envolvidos. O terceiro momento é marcado por um drama sem fim, sentimentos são tratados de maneira densa e o anime utiliza de toda essa carga para comover quem assiste, a ponto de incomodar, você se pega naquela situação e passa por uma angústia pontual. Logo por essa carga dramática, recomendo essa breve e comovente história.

Nana

nana

Baseado no mangá escrito e ilustrado por Ai Yazawa, Nana foi ao ar como anime em entre 2006 e 2007, com apenas uma temporada composta por 47 episódios. O anime de viés maduro, traz à frente da história duas garotas de nome “Nana” que por acaso se encontram em um trem indo para Tóquio, ambas possuem 20 anos e escolhem a capital para viverem suas vidas. Apesar da coincidência, as duas personagens são opostas em personalidade. Nana Komatsu é a típica garota romântica que se apaixona fácil e tem um coração demasiado sonhador, enquanto Nana Osaki é vocalista de uma banda Punk chamada “Blast”, focada em sua carreira musical, a jovem é mais reservada. As duas mais uma vez se encontram por acaso, agora em Tóquio, e decidem compartilhar uma moradia. Partindo dessa premissa as duas caem nas típicas questões da vida. Relacionamento, carreira, convivência e sexo são trazidos de maneira madura, crua e como são na realidade. Apesar do foco estar mais na questão dos relacionamentos, esses sempre pontuais e que para cada Nana, funciona de uma maneira diferente. O anime ainda trata da busca pelos sonhos, e da maturidade necessária para viver um amor equilibrado. Acredito que pode agradar a maioria pela grande abrangência de temas cotidianos e da realidade com qual são abordados.

Nodame Contabile

Nodame

Também baseado em um mangá homônimo, Nodame Contabile é composto por 45 episódios, divididos em 3 temporadas. E traz a história mais branda da nossa lista, Shinichi Chiaki é um brilhante musicista que tem o sonho de se tornar um maestro e fazer carreira no exterior; porém espera ter aulas na Europa com um grande maestro que conhecera em sua infância, o que não consegue realizar, por ter medo de aviões, devido um trauma de infância. Preso no Japão, Chiaki é arrogante e soberbo, constantemente sente-se ilhado por uma vida que não deseja e em uma faculdade que não deseja. O jovem vive a se lamentar até que conhece Megumi Noda, ou Nodame, como gosta de ser chamada; uma graduanda em piano extremamente excêntrica e desleixada, Chiaki se admira com a maneira que a pianista conduz suas interpretações dos clássicos. Logo, ele descobre que ela é também sua vizinha de apartamento, apesar das diferenças os dois passam a conviver em prol do sonho da música. Chiaki, no decorrer do tempo e ao modo que conhece pessoas, aprende que convivência é o único meio de viver bem e ser sucedido. O anime trata da busca do sonho e da carreira, de modo que elas sempre pedem por sacrifícios de nossa parte. Seja vencer os medos que nos prendem à determinada vida, ou ainda a arrogância que limita nossas relações. A trama é repleta de lições e reflexões que partem dessa premissa e também é extremamente pautada na música clássica, trazendo composições, referências e execuções precisas dos grandes clássicos, o que é um prato cheio para os fãs.

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!