De volta aos 80 com Stranger Things

“Stranger Things traz a árdua missão de resgatar as tão amadas produções ligadas à Spielberg e ao universo cinematográfico infanto-juvenil mítico e aventureiro dos anos 80, mas será que tamanha pretensão pode mesmo ser alcançada nos dias de hoje? Confira nessa review! ”

strangerthings3

Várias foram as produções marcantes que surgiram nos anos 80, criando todo um gênero cult que englobava o universo infantil, ao tempo que o associava com situações fantásticas e perigosas, verdadeiras aventuras e desventuras. Conta Comigo, E.T, Os Goonies, são alguns dos exemplos dessas produções intocáveis, bastando serem mencionadas para provocar nostalgia aos saudosistas que acompanharam essa fantástica fase. E ainda são raros os longas que ousam recriar tal época em nosso atual momento; Super 8 de 2011, foi uma das tentativas sucedidas, porém não foi tão expressivo. Hoje, a Netflix, que já consagrou-se com um espaço considerado no universo das séries, tem trazido produções inovadoras e que visivelmente querem despertar algo a mais nos espectadores. Partindo dessa premissa, Stranger Things, logo conquistou muitos desses corações, trazendo uma reconstituição desse saudoso universo oitentista.

Stranger Things

A trama é situada no início dos anos 80, algumas referências deixam claro que seria 82 ou ainda 83, tais como os pôsteres de Evil Dead e The Thing mostrados em cena, ou ainda um diálogo onde mencionam que Poltergeist está em exibição nos cinemas. Todos são longas de 82, porém o diálogo de Poltergeist acontece em um flashback, por isso também cogitamos 83 como possível data dos acontecimentos da série. Todo o clima antigo é tecnicamente reconstituído com cuidado e esmero, cada objeto em cena, cada figurino e aparelhagem vistos são correspondentes à época, o período em questão ainda é identificável por sua trilha sonora que utiliza de sintetizadores que evocam aquele momento, com destaque na abertura que remete a obras como Tron, com um leve ar vídeo-games antigos, tanto na trilha como nas imagens.

O elenco conta com Winona Ryder, atriz de vários sucessos dos anos 80 e 90, como “Os Fantasmas se Divertem.” A atriz interpreta a mãe de um dos garotos, Will (Noah Schnapp), que dá o start na trama ao desaparecer sob condições misteriosas, após uma brilhante e nostálgica partida de RPG baseado no Hobbit. O time composto pelas crianças é outro ponto considerável, a química entre eles e seus arquétipos são precisos e pontuais ao lembrar dos garotos nos clássicos da década de oitenta. Mike (Finn Wolfhard)Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin), constituem o restante do quarteto, todos nerds apaixonados por ciência, cinema e fantasia. Os deslocados meninos, logo iniciam uma heroica busca pelo amigo desaparecido. Apesar da trama soar batida dentro desse gênero, a série busca inovar trazendo no roteiro uma teia de mistérios envolvendo grande parte dos personagens e ainda resgatando elementos de suspense de vários clássicos, temos vislumbres dos mistérios de Stephen King, misturados com uma aparente conspiração governamental; além das já mencionadas referências, elementos que fortalecem o fator da “curiosidade” e logo somos impelidos a ver um episódio atrás do outro, em busca de sanar todos esses intrigantes enigmas.

Stranger Things

De longe, Stranger Things é a melhor tentativa atual de resgatar o universo oitentista em suas produções tão pontuais e nostálgicas, e faz isso com maestria e respeito. Seja no elenco acertado, ou no enredo dinâmico que fala nossa língua e em momento algum permite-se cair na monotonia, é certo que a série retoma uma fórmula de sucesso, mas o faz ao tempo que busca inovar, para não ser apenas uma cópia e sim um produto totalmente novo e reformulado; que capta em essência, o melhor de uma época tão marcante. Mas que sim, tem identidade própria. Em seus 8 episódios iniciais, Stranger Things estreou dia 15 de Julho na Netflix. Não deixem de conferir!

Confiram o Trailer:

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!