Épicos: Ben-Hur

Algumas produções realmente transcendem seu tempo, e mesmo no presente, resguardam com cuidado seu ar de grandiosidade. Quando penso em épicos, logo Ben-Hur, uma produção do final dos anos 50, inunda meus pensamentos. Sua execução parece impossível para uma época da qual o uso da computação engatinhava. Nesse atual mês de agosto, o filme ganhará um remake no cinema, então trago um conteúdo especial sobre esse clássico atemporal.

Ben-Hur, produção de 1959 pelas mãos do estúdio MGM, inspira grandeza até na história de sua composição. Adaptado de um livro, do qual tratarei posteriormente, Ben-Hur teve três versões cinematográficas. Sendo a primeira, um curta de 15 minutos realizado em 1907 sem a devida autorização do autor, gerando uma grande questão judicial sobre os direitos autorais para seus idealizadores. Em 1925, tivemos o primeira longa adaptado e autorizado, trazendo Fred Niblo na direção, o filme mudo e gravado em preto e branco, utilizou ao máximo dos recursos disponíveis na época e o fez com muita inovação, técnicas arriscadas como Travelling e o uso de múltiplas câmeras para as tomadas de ação, foram feitos consideráveis por parte do diretor. Tal versão ficou esquecida, até ser restaurada nos anos oitenta, seu investimento gritante acarretou em um grande prejuízo para recém-fundada MGM. Na década de 50, o estúdio perdia espaço pela ampla difusão dos televisores nas casas americanas, além de várias novas leis prejudiciais ao mercado do cinema. Frente à crise, Ben-Hur fora uma grande aposta, sendo motivado por épicos de sucesso na década, como Quo Vadis (1951) do próprio estúdio e Os Dez Mandamentos (1956).  Aposta essa grandiosamente acertada. O filme fora um sucesso de bilheteria e também de críticas, o valor exorbitante e até então o maior já investido em uma produção, algo em torno de 15 milhões de dólares, resultou em uma obra mais que grandiosa. Com suas tomadas apoteóticas e qualidade técnica impecável, seja nos figurinos ou cenários megalomaníacos, ou ainda no grande elenco que compõe as cenas, são muitos elementos que surpreendem até hoje, causando ainda mais entusiamos na época lançada.

Como mencionado antes, a história é adaptada de um famoso livro e sucesso absoluto de vendas. Escrito por Lew Wallace, intitulado Ben-Hur: Um Conto sobre o Cristo, publicado inicialmente em 1880. Lew, que foi ateu, escreveu tal obra tentando humanizar a natureza de Jesus, retirando seu ar mítico. Porém em suas pesquisas para compor o livro, terminou por se converter ao cristianismo. A história do personagem central, se desenvolve simultaneamente com a história de Jesus de Nazaré, até sua crucificação. No filme, o foco maior fica para o protagonista, sendo poucas as aparições do Cristo. A trama gira em torno de Judah Ben-Hur (Charlton Heston), um judeu de posses, que nutre desde cedo uma forte amizade por Messala (Stephen Boyd), esse, ao se tornar um tribuno romano, acaba traindo Ben-Hur e toda sua família, do qual sempre fora próximo, em virtude de promover-se frente as autoridades do império. Ben-Hur é enviado para as Galés, onde trabalha como escravo por quatro anos, até conseguir dar a volta por cima e reerguer-se financeiramente. Munido de poder, o protagonista vai atrás de vingança contra seu opressor. Apesar do conceito de vingança ser claro na trama, é difícil, até mesmo para os mais moralistas, enxergarem isso como algo negativo. O que vemos, beira a ideia de uma justiça que só poderia ser aplicada daquela maneira. Todos esses eventos, mais a inserção de Jesus, culmina em uma das histórias mais inspiradoras do cinema.

O longa, que bateu o record em premiações,  ganhou 11 estatuetas do Oscar. Incluindo melhor filme, diretor, ator e claro, efeitos especiais. Sua sequência de maior sucesso, ainda é tida como uma das melhores da história do cinema, a corrida de bigas, que dura aproximadamente 9 minutos e que é musicada por uma trilha de Miklós Rózsa, a mais longa usada até então. Para tais tomadas foram usadas câmeras exclusivamente desenvolvidas para o filme, a MGM 65, custando aproximadamente 100 mil dólares a unidade. Filmando em 70 mm e com uma incrível razão de aspecto, 2.76:1, gerando imensos planos abertos que até hoje impressionam. O cenário, totalmente preparado para a ocasião, desprendeu enorme quantidade de mão de obra, tudo é perfeitamente construído, e nenhum efeito especial, nem mesmo truques de câmera foram utilizados em tal sequência. Algo mais que inovador para década e que consolida ainda mais o ar épico da fita.

A refilmagem do clássico chega pelas mãos da Paramount, e tem sua data de estreia marcada para 18 de Agosto. Trazendo no elenco Jack Huston, Morgan Freeman e o brasileiro Rodrigo Santoro, no papel de Jesus. O novo longa conta com a direção de Timur Bekmambetov (Wanted 2008).

Confira o trailer de Ben-Hur 1959:

Confira o trailer do Ramake 2016:

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!