Crítica do mais novo Caça-Fantasmas

“Alguns clássicos realmente vestem o manto de intocáveis, e mesmo com o passar do tempo, tal manto só é ornamentado, nunca ofuscado. E frente à esses títulos, é normal por parte dos fãs certas exaltações quando os estúdios decidem trazê-los para o presente através de uma continuação ou ainda um remake, caso esse de “Caça-Fantasmas”. Mas será que tanto barulho é justificável? Confira na crítica.”

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Quando o trailer, junto com anúncio do novo longa da franquia Ghostbusters foram divulgados, terminaram por gerar um grande descontentamento por parte dos fãs, principalmente pelo cast central ser exclusivamente feminino, algo injustificável para os dias de hoje. É certo que resgatar uma obra oitentista tão importante é sempre um risco, principalmente frente ao mercado cinematográfico atual, que parece utilizar desse artificio tão somente para angariar altos lucros, sem se importar com a qualidade final do produto. O que não é necessariamente o caso do novo filme da franquia.

Logo no início, Ghostbusters (2016), já nos insere em uma narrativa familiar e agradável, que em muito remete o primeiro longa de 84. Temos a doutora Erin Gilbert (Kristen Wiig) tentando desvencilhar-se do seu passado como investigadora paranormal, e o faz pela falta de prestígio que isso representaria dentro da universidade onde trabalha e deseja um cargo, porém seu passado vem à tona quando alguém aparece pedindo por ajuda e através desse evento inicial, ela terminar por se unir a sua antiga parceira de investigações, o time vai tomando forma com mais algumas adições, até chegar na formação clássica, com 4 membros. Juntas, vão “mais uma vez” salvar Nova York de uma nova ameaça fantasma. Um roteiro simples, que unido aos demais elementos que o compõem, procura ao máximo entregar uma experiência divertida e descompromissada, e o faz, ao tempo que preserva elementos originais do clássico, seja na narrativa familiar ou ainda nas inúmeras referências apresentadas, referências essas inteligentes e com uma nova roupagem, concedendo uma linguagem atual para o longa.

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Embora a narrativa contenha pequenas falhas, como algumas piadas e diálogos forçados, não há nada que comprometa ou manche a boa trajetória alcançada pelo longa original. A qualidade técnica em nada deixa a desejar. O novo filme apresenta uma fotografia limpa e ótimos efeitos especiais, trazendo fantasmas que muito recordam aqueles dos longas anteriores, mas que também compartilham dessa nova roupagem, funcionando assim, muito bem em cena. A trilha sonora, apesar de comedida, sempre evoca a original. E sobre o cast, quanto o principal, esse se demonstrou muito eficiente acerca da química entre as 4 atrizes, que se saem muito bem em suas atuações e entregam uma comédia pontual, que já é marca registrada da franquia. Com destaque para Melissa McCarthy, que já vem de uma longa relação com o diretor do filme, Paul Feig. Ao final podemos concluir que Caça-Fantasmas 2016 veio para entregar uma experiência divertida, a fita bebe e muito da fonte original em suas referências, mas o faz de maneira válida ao vesti-los de modernidade, em prol de falar a língua de hoje, para dialogar com o público jovem e que consome esse tipo de blockbuster. E essa experiência divertida, foi o objetivo principal do primeiro longa de 1984. Logo recomendo a fita para os fãs e também novatos na franquia, que devem assisti-la pela diversão proporcionada, que é a proposta central do filme.

Confiram o Trailer:

 

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!