De volta à selva com A Lenda de Tarzan

Em 1912, ao criar Tarzan, Edgar Rice Burroughs jamais imaginaria que sua criação perduraria até os dias de hoje. O personagem, que surgiu na literatura, já fora vivido por mais de 20 atores no cinema desde 1918; hoje mais um filme encontra-se nas telas, e logo questionamos, será que a história pode ser reinventada, para não ser apenas mais um filme sobre Tarzan? Confira na crítica.

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No nova longa em exibição nos cinemas, Alexander Skarsgård, conhecido por seu trabalho em True Blood, encarna o famoso personagem, enquanto Jane é vivida pela talentosa Margot Robbie (Esquadrão Suicida) e ainda no cast principal, temos Samuel L. Jackson e Christoph Waltz. O elenco acertado, evidencia desde o início ser o ponto alto do filme, os personagens são devidamente aproveitados durante toda narrativa, o que permite que todos recebam seu devido destaque dentro de seus papéis. Skarsgård se sai muito bem ao dar vida, ao tempo que revitaliza, o novo Tarzan. Na trama, oito anos se passaram desde os eventos principais que marcam a lenda de nosso protagonista, Tarzan vive com Jane em Londres e está totalmente integrado naquela sociedade tão distante das selvas de costume. Atendendo pelo título de Lorde Clayton, o herói se mantém na cidade grande, em prol do bem estar e segurança de sua amada, porém ambos sentem falta do Congo, onde cresceram. Um convite surge, junto com a oportunidade de retornarem para seu lar, evento esse que inicia a aventura.

O enredo, que veste essa nova roupagem, funciona bem e tenta situar sua trama dentro da história do imperialismo na África, ocorrido na segunda metade do século XIX. Trazendo, inclusive, personagens inspirados em figuras reais, como o soldado belga Léon Rom, antagonista vivido por Christoph Waltz, que realmente existiu e esteve envolvido na questão do Congo. Logo é fácil deduzir que esse resgate histórico de um período tão sombrio, funciona como a principal crítica dentro do longa, entre outras questões importantes, estão também o cuidado com a natureza e a postura social frente aos nativos. David Yates, diretor consagrado por seu trabalho em Harry Potter, demonstra muita perícia na direção de fantasias, e não é diferente aqui. Todo o universo, desde a fotografia até o figurino, remetem aos trabalhos do diretor; e apesar da qualidade técnica não ser excepcional, temos algumas ótimas cenas envolvendo animais, vide a sequência final. A trilha sonora casa bem com as cenas, embora não seja expressiva ou marcante, cumpre seu papel e é sóbria dentro do esperado. Ainda dentro do visual, a fotografia é um tanto quanto comprometida pelo alto uso de efeitos digitais, principalmente nos cenários das florestas e savanas africanas, proporcionando uma ambientação genérica.

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O longa, nem de longe é o melhor filme sobre Tarzan, tampouco se caracteriza em um épico, mas apesar das falhas comuns que são usuais nesse tipo de blockbuster, “A Lenda de Tarzan” acerta em sua narrativa simples e reinventada. A história positiva funciona bem e é potencializada pelo elenco de peso, que é bem aproveitado no decorrer de toda trama, podendo proporcionar uma ótima experiência descompromissada.

Confira o Trailer:

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!