Sounds Awesome e o pós-punk dos anos 80

Awesome post-punk from 1980s and on

Por João Motta

“João Motta é viajante de espírito, geólogo e cientista por profissão. Amante de música, boa comida e paisagens. Já jogou um pouco de video- games, viu muitos filmes, mas hoje em dia está mais concentrado em outras coisas, infelizmente.”

Os anos 70 e 80 dos 1900 foram um palco de grandes mudanças culturais e políticas no mundo como conhecemos. A música não ficou sem suas marcas.

Ícones do hard rock, rock n’ roll clássico e metal continuaram suas evoluções e alguns deles até cometeram gafes musicais, discos ruins e alguns desapareceram, mas em nome do experimentar musical eles não fizeram nada de incorreto.

Neste timeframe surgiu uma corrente musical bastante peculiar, o som dos sintetizadores e guitarras bastante se misturaram com letras depressivas, pós-término de relação ou simplesmente desconexas do temário musical. Estamos falando dos pós-punks de vários grupos como Joy Division, New Order, The SmithsThe Cur, Tears for Fears, e Television . Os cinco primeiros nomes são relativamente conhecidos, o Television talvez não muito, ao menos no meu círculo de amizade musical, então no final tem um pouco deles também. No meio desse pessoal também tem o Depeche Mode que já começa a se destacar por produção mais pop e que viria a integrar outra classe musical com INXS e A-ha , entre tantos. Esses estão aqui um pouco por acaso, mas você pode acompanhar eles na playlist também.

Se você quiser saber um pouco mais e ver essa música em um filme, procure pelo filme Control de 2007, que mostra parte da história da conturbada vida do Ian Curtis. Também há o documentário Joy Division, também de 2007.

Se você precisar calibrar seu ouvido para essa época sugiro os discos a seguir:

– Joy Division: esses rapazes britânicos incendiaram o cenário com um som rústico e diferente do que já se havia ouvido, junto da voz ressonante de Ian Curtis. Eles têm discos importantes, como o afamado Unknown Pleasures e Closer , porém para conhecer o som deles em sua forma crua eu recomendo ouvir o ao vivo “Les Bains Douches”, de 1979 – . Cru e explosivo. Pouca coisa inspirou tanto do rock moderno como eles.

– New Order: dissidência do Joy Division após a passagem trágica do vocalista Ian Curtis, essa banda tem traços bastante similares ao da antiga banda, porém a sonoridade é mais leve, não tão melancólica, já mais pop. Confira aqui .

– The Smiths e The Cure: estes dois acredito não precisam de muita apresentação, se você já tem mais de 20 anos é bem provável que já ouviu suas músicas que misturam melancolia com alegria em vários nuances. The Cure você encontra aqui, há mais que ‘Friday I’m In.

– Love’, comece por ‘Inbetween days’. Já para o Smiths (The) você pode ouvir o disco Hatful of Hollow , destaque para a faixa ‘How soon is now’.

– Tears for Fears: Nome consagrado por suas canções emocionadas e nuances rock e pop, com vocais possantes. O disco Songs from The Big Chair carrega grandes sucessos, como ‘Head over heels’.

Após esta introdução não tão breve, cabe dizer que essas bandas hoje em dia estão pouco ativas, e só ocasionalmente lançam material novo, em geral obscurantado pelo cenário de música atual.Esse estilo viu uma drástica redução de seus militantes nos anos 1990 e 2000, estes que perambulam por este estilo e que não tiveram grande repercussão no cenário mundial. O Suede é uma dessas poucas bandas.O Suede tem se mantido relativamente constante no estilo desde seu início nos 1990’s e segue com vigor, com um disco muito bom recentemente lançado, chamado Night Thoughts. Neste disco o destaque é para a dobradinha ‘Outsiders’ e ‘No tomorrow’. Observem um tom bastante soturno. Um disco muito bom para se ouvir naquelas noites mais solitárias e de pensamento. Para conhecer o trabalho da banda eu recomendo o disco Dog Man Star, ao vivo de 2015 e bem enérgico.Já nos anos 2000 e 2010 aparecem o Wild Nothing e DIIV. Ambas são um pouco distintas do que falamos anteriormente. O Wild Nothing é muito próximo dos antigos New Order e Tears For Fears, inclusive quando ouvi pela primeira vez achei que era algo do Tears. Sua sonoridade é mais distante, mais elétrica. O disco mais recente deles é de 2016, se chama Life of Pause, um disco bastante jovem, a despeito do estilo geral, como no disco Nocturne. DIIV tende mais ao rock leve, com um pouco de melancolia e guitarras pujantes e um vocal, em geral leve. Gosto bastante deste disco deles Oshin.

Recomendo ouvir estas duas últimas bandas e suas relacionadas se você está na vibe desses sons reflexivos.

Perceba que a energia bombástica do Joy Division foi se diluindo gradativamente até os dias atuais desse estilo musical, em que os músicos atuais tendem a deslizar mais por sintetizadores com sons mais suaves e vocais mais tranquilos, não tão enérgicos. Assim o pioneiro do ‘post-punk’ foi o Joy Division. O Television também atuou bastante nos 1970-1980’s, com alguns hits como ‘Marquee Moon’ , mas já percebam um afastamento do post-punk do qual estávamos falando do Joy Divison até o DIIV, com uma sonoridade mais rock ainda, como se percebe no Live at Old Waldorf. Mas tenho um pouco de dificuldade de diferenciar o Television do mesmo estilo, até agora.

Isso é um pouco do bom que se pode ouvir desde os 1980 com mistura entre o eletrônico e o rock. Alguns chamavam este movimento de post-punk, alguns de Britpop, mas a verdade é que é difícil dar um nome para estilos musicais. Muita coisa se misturou e se criou destes elementos, alguns artistas como o The Killers fizeram covers (Shadowplay) e deram uma energia mais jovem ao som do Joy Division de um modo também bastante brilhante, até enxergo algumas notas desses outros cantores nas músicas do Killers (The).

As músicas estão todas listadas na playlist Awesome post-punk from 1980s for Robotgeeks.com. Confiram aqui.

 

 

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!