[Review] Quando As Luzes Se Apagam

Quando bons conceitos se perdem em meio ao horror gratuito

 

Quando o curta Lights Out viralizou pela internet, muito se comentou sobre o potencial que um longa-metragem realizado com base no filme original possuiria. Arrepiante e extremamente eficaz, a idealização se tornava promissora, dadas as atuais circunstâncias em que o atual cinema de horror americano se encontra. Não por acaso, James Wan, o responsável por uma das obras mais importantes do gênero nos últimos dez anos (Invocação do Mal), é um dos principais produtores de Quando As Luzes Se Apagam, a obra criada através da parceria de Wan com o diretor David F. Sandberg (também responsável pelo curta) e o roteirista Eric Heisserer.

maxresdefault (1)

No filme, somos apresentados à história de Rebecca (Teresa Palmer), uma jovem que precisa lidar com os surtos que seu pequeno meio-irmão Martin (Gabriel Bateman) vem sofrendo constantemente causados por sua insônia. Ao investigar o que vem acontecendo, Rebecca descobre que sua mãe, Sophie (Maria Bello), que possui casos recorrentes de depressão, tem conversado com uma entidade durante as noites. Rebecca também foi atormentada pela entidade, chamada Diana, quando era uma criança, mas se fez acreditar que não passava de uma alucinação. Mas Diana é real e tem a capacidade de movimentar somente pelas sombras, desaparecendo em contato com a luz. Rebecca e Martin decidem então ajudar sua mãe para que sua família se livre da maldição de uma vez por todas.

A base do filme estabelecida sobre Rebecca, Martin e Sophie se apresenta como uma das boas surpresas de Quando As Luzes Se Apagam. O desenvolvimento da trama e de seus personagens, ainda que conte com pouco mais de 80 minutos de duração, não parece ser apressado ou mal construído. A personalidade demonstrada pelos personagens, aliada de boas atuações por parte de todo o elenco e decisões inteligentes, colabora para se construa uma empatia imediata com seu trio de protagonistas, sendo pessoas que enfrentam dilemas cotidianos similares aos do grande público e nunca apenas corpos à espera do próximo ataque da criatura. Dessa forma, a preocupação para estabelecer quem é Diana e quais são todas as suas capacidades enquanto a antagonista sobrenatural do filme revela os bons conceitos que Sandberg buscou trazer de seu curta original.

Porém, nada disso justifica a esperança que foi depositada em Quando As Luzes Se Apagam. Ainda que busque trazer justamente os conceitos elaborados de uma forma interessante, Sandberg e Heisserer parecem se perder em meio aos clichês recorrentes do gênero. A certeza da presença da criatura em momentos de escuridão total não é trabalhada com o mesmo suspense, sendo apenas um crescimento contínuo em busca do próximo jump scare para assustar um público que espera por isso. Mas o susto não significa necessariamente o “terror” pela situação, mas sim pela ocasião. Infelizmente, ainda que apoiado em bons personagens e um ótimo ritmo, Quando As Luzes Se Apagam acaba por se tornar uma obra previsível e sem brilho, por mais irônico que esse final possa parecer.

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.