Releitura do épico: Crítica de Ben-Hur 2016

“Ben-Hur, grandiosa obra do qual já tratamos em nosso site, retorna às telas com o árduo trabalho de novamente contar a história épica idealizada pelo escritor Lew Wallace, o longa tenta tal feito, sem ainda manchar a reputação da clássica adaptação de 1959, dirigida pelo visionário William Wyler, mas será que consegue se destacar? Confira em nossa crítica.” 

Para essa crítica em especial, recomendo a postagem sobre Ben-Hur disponível em nosso site através desse Link. É complicado falar do novo longa sem envolvê-lo em comparações com o título de 1959, esse vencedor de 11 estatuetas do Oscar, incluindo melhor filme e diretor. Mas devemos lembrar que o novo longo se trata de uma adaptação da obra literária de Lew Wallace, configurando o filme como uma releitura; essa premissa é ainda confirmada na narrativa que toma rumos diferentes do clássico antigo e proporciona, mesmo que de maneira sútil, uma experiência diferenciada.

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Ao tratar das diferenças, a mais significativa diz respeito à trama, que dessa vez emprega um grande destaque para o arco envolvendo Jesus de Nazaré, interpretado pelo brasileiro Rodrigo Santoro, o ator que já tem fama por suas participações em produções estrangeiras, faz um bom trabalho no papel de tamanha importância. O cast principal também conta com Jack Huston dando vida ao protagonista Judah Ben-Hur, Toby Kebbell  como Messala e Morgan Freeman na pele de Sheik Ilderim. Por muitas vezes, tais personagens sofrem pela narrativa urgente e apressada do título com aproximadamente 2 horas de duração, tempo curto para um épico e para uma história dessa proporção, e que não permite, dentro do enrendo, uma interação significativa entre atores, transmitindo assim a impressão de laços genéricos e motivações pouco convincentes, comprometendo a potencialidade da trama. No mais, os atores são empenhados em transmitir aquilo que pedem seus devidos papéis, e ainda é interessante notar o tom bíblico que muito esteve presente nos clássicos das décadas de 50 e 60, tom esse que é definido pelo destaque na história de Jesus, e sua interação com o protagonista Ben-Hur. 

Quanto à qualidade técnica, podemos perceber os traços típicos do trabalho de Timur Bekmambetov (Wanted), dirigindo com maestria cenas de ação que são essências dentro do gênero épico; o diretor o faz, ao tempo que prioriza a narrativa em seus ângulos acertados, geralmente trazendo a visão do protagonista, vide a excelente sequência das galés e seu uso criativo de planos para evidenciar tal visão. O restante em cena, também é tratado com cuidado, como o figurino e os próprios cenários, onde tudo parece certo e adequado. A trilha sonora não faz feio, embora não seja memorável. Sobre os efeitos especiais, apesar de digitais em sua maioria, são bons e usuais dentro do padrão das novas produções que estreiam anualmente e compartilham do mesmo gênero. Tais características dentro do campo técnico, proporcionam uma experiência sólida, mas que não foge do comum já visto em outras produções recentes.

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Por fim, o título está longe do clássico de 59, o que é bom, pois a releitura permite uma amplitude da memorável trama; e essa extensão é responsável por fazer do longa recomendável. Apesar do produto ser pensado para o mercado dos blockbusters, consegue desprender alguns traços sutis dos grandes épicos do passado, mas em suma, se encaixa dentro das boas produções recentes com propostas similares, como é o caso de Êxodo: Deuses e Reis,” entre outras que não constituem algo para posteridade, característica que encontramos no longa da década de 50.

Confira o trailer:

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!