Crítica:The Wailing

“É certo que o cinema asiático já rendeu grandes obras dentro do gênero terror, entre alguns títulos, podemos citar Ringu (O Chamado) e ainda Ju-on (O Grito), que inclusive receberam remakes americanos, mas que não superaram o temor proporcionado pelo original; afinal a mística oriental é repleta de lendas sobre maldições, fantasmas e afins, lendas capazes de assustar até aqueles mais corajosos, e há tempos esse cinema não apresentava algo convincente, felizmente esse ano tivemos um resgate do horror com The Wailing. Confira nossa crítica.” 

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The Wailing (Goksung) se configura dentro dos títulos de horror asiáticos que poucos conhecem ou irão conhecer, mas que em sua qualidade, transcende grande parte dos blockbusters lançados no mesmo período. O longa Sul Coreano, dirigido por Hong-Jin Na, é uma obra a ser notada; sua originalidade e direção acertada são ingredientes que fazem da fita uma das experiências mais significativas dentro do gênero nos últimos anos. O filme ainda evoca o bom conteúdo encontrado nas produções coreanas, tais como A Tale of Two Sisters e The Wig”ao tempo que introduz uma história inédita, a maior virtude do longa, que foi destaque no festival de Cannes.

A história é situada dentro da pequena aldeia de Goksung, o local reproduz com fidelidade a Coréia rural, seja nos arquétipos do interior que perpassam os habitantes, ou na chuva constante em meio às florestas e lamaceiros presentes em cena, fatores que consolidam o ar místico da ambientação, que é elemento fundamental para narrativa, ampliando consideravelmente a sensação de suspense proporcionada. A trama gira em torno de uma série de assassinatos brutais, todos ocorridos em circunstâncias misteriosas, a introdução já é um convite para tal mistério e prende com eficiência a atenção de quem assiste, mesmo durante os longos 156 minutos dos quais o filme se desenrola; e o faz sem ser cansativo ou utilizar de sequências vazias que nada contribuem no desenvolver do enredo. O policial Jong-Goo (Do Won Kwak) protagoniza o longa; o personagem, um tanto quanto atrapalhado, é atirado de cabeça para dentro de uma trama macabra envolvendo antigas lendas orientais, espíritos malignos e todo o misticismo pertencente à cultura. Apesar do ar cômico que equilibra o clima inicial da fita, logo temos um tom sombrio que se desenvolve junto com o mistério proposto, e que ainda surpreende pelas plot twists. O enredo é sóbrio, mesmo trabalhando com uma mistura de vários elementos que compõem o universo do terror, o diretor consegue ser original em sua apresentação e trazer um requinte inédito para dentro do gênero. 

A qualidade técnica, por sua vez, é fundamental para narrativa. Tomadas acertadas, fotografia soturna e a trilha sonora envolvente ampliam a imersão na história, além da própria ambientação já mencionada, temos cenas “sujas” que evidenciam a precariedade da pequena aldeia, a maquiagem e os cenários de massacre, tal qual os mortos e toda sanguinolência exibida é um prato mais que cheio para os fãs do gênero. Por fim, ainda devo comentar sobre o bom uso das cores em cena e sua representatividade, tal qual podemos ver em grandes obras; o diretor conduz com maestria o espetáculo de cores, e não é piegas em momento algum ao utilizar do artifício, ainda ressalto que é um filme de grande apelo visual, mas que não se perde nos campos do exagero.

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The Wailing é um primor dentro do gênero, uma pena sofrer pelas falta de circuíto em sua distribuição, o longa que já estreou nos EUA, ainda não possui data marcada para dar as caras em território nacional.

Confira o Trailer

 

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!