H.P. Lovecraft e O Chamado de Cthulhu (Parte II)

“A coisa mais misericordiosa do mundo, creio eu, é a incapacidade da mente humana em correlacionar todo o seu conteúdo. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a negros mares de infinito, e não está escrito pela Providência que devemos viajar longe. As ciências, cada uma progredindo em sua própria direção, têm até agora nos causado pouco dano; mas um dia a junção do conhecimento dissociado abrirá visões tão terríveis da realidade e de nossa apavorante situação nela, que provavelmente ficaremos loucos por causa dessa revelação ou fugiremos dessa luz mortal rumo à paz e à segurança de uma nova Idade das Trevas.” – H.P. LOVECRAFT

cthulhu

O pequeno trecho acima funciona como introdução para o que é, sem dúvidas, o conto mais importante escrito por Lovecraft. Em síntese, o autor elucida nossa pequeneza diante de um universo desconhecido e que em suas cortinas temporais, oculta os males “inomináveis,” como o próprio autor os definiu. Males que nossa mente jamais poderia conceber, por tamanha moléstia proposta e que podem nos levar à insanidade imediata, apenas por um breve vislumbre. Essas características, que fazem parte da cânone do escritor, aparecem como tema chave em seus contos. Como vimos na matéria anterior, Lovecraft, que jamais publicara um livro, escrevia suas breves histórias para uma publicação de ficção científica intitulada “Weird Tales.” Sua obra só ganhou notoriedade muito tempo após sua morte e consequentemente “Os Mitos de Cthulhu,” termo criado por August Derleth, seguiu o mesmo caminho. E hoje essa notoriedade transcende a literatura, fazendo aparições em jogos, RPG’s, filmes, entre outros dos quais trarei ao final.

Ainda falando sobre “Os Mitos de Cthulhu,” Derleth criou um termo que pudesse compreender o panteão mitológico criado por Lovecraft, esse repleto de deuses, monstros e místicas ancestrais, que muito contribuíram para fama de blasfemador atribuída ao autor. E a escolha do específico conto “The Call of Cthulhu” para sediar e ilustrar o universo, não foi atoa. Sua história é uma das mais completas ao representar esse universo proposto pelo autor. Assuntos como antropologia, arte e mitologia fantástica se misturam com uma grande dose de horror, sempre conciliado com ficção científica. A narrativa, que prefere manter a mítica de sua criação em profundo mistério, é um convite para imaginação. A história, narrada em primeira pessoa, apresenta a investigação do protagonista acerca de um material herdado de seu tio, morto sob estranhas circunstâncias. Esse material nos atira, junto ao narrador, à uma trama cheia de mistérios ancestrais, cultos que em sua pretensão, buscam trazer os antigos deuses; monstros colossais que promoveriam o caos e a total destruição para nosso planeta. A narrativa segue uma linha investigativa e que perpassava diversas localidades em pro de tal investigação; o ponto chave, que nos prende, ao tempo que situa nossa consciência dentro do universo do conto, onde mistério é sempre nublado, permitindo que nossa mente complemente tal proposta. Apesar da história breve, onde o leitor pode terminá-la com um pouco mais de uma hora de leitura, esse convite ilustre ao imaginário é o grande ponto de mérito do escritor. Esse convite permitiu ainda, a sobrevivência da história até os dias de hoje, onde podemos ver os “Mitos de Cthulhu” dispostos em várias mídias. Conheceremos algumas das tantas em circulação, no que diz respeito aos jogos inspirados pelo universo, mas antes disso, vejamos mais sobre a mítica do monstro que dá nome ao conto. O termo “Cthulhu” provavelmente foi criado por Lovecraft, vale dizer que o autor se encantava muito da mitologia grega, provável fonte de inspiração para seus contos. Quanto a pronúncia, Cthulhu seria pronunciado dentro da fonética inglesa, algo como: “Kuh-Thoo-Loo” ou em português “Ka-Tu-Lu”; embora o próprio Lovecraft tenha dito que a palavra era de origem antiga,  pertencente aos antigos “deuses,” logo somos incapazes de pronunciar corretamente, como o faziam. A palavra ainda é utilizada para o “deus ancestral” que, em sua descrição, aparentava ser uma criatura gigante e grotesca e que compartilhava da mistura entre polvo e dragão; com uma cabeça coberta por longos tentáculos, um corpo borrachudo e escamoso, enormes asas finas como as de um morcego e monstruosas garras em seus pés e mãos. O ser habitava a cidade de R’lyeh, místico local apresentado nesse conto, trazendo em sua estrutura uma configuração atípica e incompreensível para nós humanos.

cthulhucover

The Call of Cthulhu: O RPG

chthulhurpg

O RPG que surgiu em 1981, e ganhou prêmios importantes, utilizou inicialmente do sistema RuneQuest. O jogo, já adaptado para o sistema D20, foi publicado em 2013 no Brasil, totalmente traduzido pela editora Terra Incognitaonde você pode adquirir o livro de regras através do link . A trama do jogo acompanha vários personagens que, dentro do universo dos mitos, protagonizam uma série de eventos envolvendo segredos ocultos em diferentes cenários e épocas.

The Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth

hybrid

The Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth é um jogo para PC, lançado em outubro de 2006, e publicado em parceria pela Bethesda, 2K Games e Ubisoft. A trama situa o protagonista dentro do universo de Lovecraft, onde nos deparamos com mistérios a serem solucionados e monstros que são combatidos dentro desse Survivor Horror em primeira pessoa, o game é um prato cheio para os fãs do mistério e dos mitos do escritor.

The Call of Cthulhu: Board Games

eldritch horror

São vários os jogos de tabuleiro (Board Games) que se inspiram nos “Mitos de Cthulhu” para pautarem suas histórias. Dentre os principais, temos Eldritch Horror, que foi completamente traduzido e lançado no Brasil pela Galápagos Jogos, podendo ser adquirido através desse link. A empresa brasileira logo pretende lançar uma edição nacional de Mansion of Madness, outro jogo que utiliza do universo Lovecraftiano para situar sua trama. Ambos os games são de estratégia cooperativa, onde os jogadores devem desvendar pistas para concluírem missões e assim vencer o jogo, impedindo que os míticos monstros dominem o mundo. São vários os jogos de tabuleiro disponíveis, além de expansões para os mencionados, mas trouxe os dois principais e disponíveis em nosso país.

The Call of Cthulhu: Card Game

Adoradores-de-Cthulhu-Caixa

Da mesma maneira que os Board Games, vários são os jogos de cartas baseados em Cthulhu e nos mitos que tratamos, mas dou destaque para um nacional, lançado pela Rocky Raccoon e podendo ser adquirido através desse linkIntitulado “Adoradores de Cthulhu,” o jogo de dedução e argumentação pode ser jogado com até 18 jogadores.

Confira a primeira parte do nosso especial aqui.

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!