[Review] Star Trek: Sem Fronteiras

Novo capítulo da franquia inova na ação e homenageia conceitos da série clássica

 

Desde quando foi anunciado pela Paramount Pictures, Star Trek: Sem Fronteiras sofreu com diversos problemas de produção, como a troca de seu diretor e seu processo de finalização sendo apressado para que fosse lançado no momento programado. Ainda que conte com tais polêmicas que colocaram em cheque a confiança de alguns fãs, o resultado final impressiona.

Pensado como uma homenagem pelos 50 anos de lançamento da série original, Star Trek: Sem Fronteiras realiza essa tarefa com louvor. Contando com roteiro de Simon Pegg, a trama se preocupa em abordar alguns dos conceitos mais essenciais que rodeiam Star Trek desde sua fundação e que não haviam sido devidamente explorados pelo reboot, trazendo novas situações de questionamento sobre qual o papel da utopia do futuro pacífico no qual os filmes estão inseridos. Da mesma forma, Pegg, por ser um gigantesco fã, sempre encontra o espaço e timing necessários para desenvolver todos os personagens que integram a Frota Estelar da Enterprise e sua união responsável por suas conquistas.

Na trama, a Entreprise continua sua missão de 5 anos explorando os limites do espaço e se abriga temporariamente em uma nova estação da Federação. Quando um chamado de socorro vem de uma nebulosa desconhecida, Kirk (Chris Pine) e sua tripulação partem para o resgate somente para descobrirem que foram enganados por um déspota que procura vingança contra a Federação. Sendo comandado desta vez por Justin Lin, com J.J. Abrams servindo como produtor, a entrada do novo diretor foi providencial para que a ação presente no filme fosse renovada e tornasse o filme mais dinâmico, com direito a uma das melhores integrações entre música e cena de ação dos últimos anos durante a batalha final.

Um dos maiores méritos de Star Trek: Sem Fronteiras é de se tratar como um filme episódico, onde pode explorar sua própria história livre de consequências vindas de filmes anteriores, ainda que continue inserida dentro desse novo universo cinematográfico. Dessa maneira, o filme funciona perfeitamente como uma fusão entre o entretenimento buscado pelo grande público com as referências esperadas pelos fãs mais antigos, oriundos das séries de TV. As homenagens em questão são realizadas de maneira muito sutil e bela, carregando seu peso através do momento e da atuação, oferecendo um profundo senso de agradecimento aos que fizeram Star Trek alcançar um lugar carinhoso no coração da cultura pop.

Star Trek: Sem Fronteiras se revela como uma surpresa por entregar não apenas um filme incessantemente divertido, mas por compreender todo o contexto no qual estava envolvido e saber utilizá-lo da melhor maneira possível ao seu favor. Felizmente, graças a isso, a franquia se mantém com a previsão de uma vida longa e próspera em seu futuro.

 

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.