American Horror Story: Primeiras impressões sobre a nova temporada

Setembro já passa da metade, e como esperado, as primeiras produções voltadas ao mês do Halloween começam a despontar na TV e cinema. Estreias como O Exorcista e Supermax, da Rede Globo, batem à porta, enquanto uma das séries atuais mais icônicas teve seu retorno na última quarta-feira (14/09). American Horror Story chega à sexta temporada, e mais uma vez surpreende pelo formato inovador, se configurando dentro da cânone mais pura do terror, o que explica tantos fãs da série. Saibamos um pouco mais dessa estreia que nos introduz, de maneira sútil, ao novo tema tratado.

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My Roanoke Nightmare é o título de um falso documentário presente no primeiro episódio da sexta temporada de AHS, onde nos é apresentado a nova premissa, tais quais os personagens presentes na trama. O foco é no casal Shelby (Sarah Paulson) e Matt (Cuba Gooding Jr.), que após serem atacados por uma gangue na cidade, evento que culminou na perda do bebê de Shelby, decidem partir para o interior da Carolina do Norte, onde compram uma grande casa de fazenda, que tudo indica ser o novo palco da série. Uma vez na casa, estranhos acontecimentos marcam a chegada do casal, abrindo o leque para os novos mistérios que envolvem antigos colonos e criaturas misteriosas.

Apesar do primeiro episódio não assustar, a construção do suspense é pontual. Tudo graças ao formato que a série apresenta, sempre baseado nas melhores produções de horror já concebidas; podemos ver muitas referências à Bruxa de Blair nessa premissa, além da própria mística das antigas lendas americanas das quais a série sempre buscou trabalhar. Apesar das poucas revelações iniciais, tudo indica que teremos a nova trama baseada na lenda da Colônia de Roanoke, onde vários colonos supostamente teriam desaparecido sem explicação. Saiba mais abaixo.

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A lenda da Colônia de Roanoke

A lenda é situada no século XVI, no contexto das colonizações do novo mundo; precisamente em 1587, onde uma colônia inglesa foi fundada na ilha de Roanoke, o lugar hoje estaria localizado no estado da Carolina do Norte, região sudeste dos EUA. A liderança dos colonos provinha de John White, que precisou voltar para Inglaterra em prol de buscar suprimentos para o local, pois a pequena colônia passava por grande precariedade e escassez de alimentos e recursos. Em sua partida, 113 colonos ficaram em Roanoke, inclusive sua filha e netos. Várias dificuldades perpassaram a viagem de John, sendo seu retorno possível apenas três anos após sua partida. De volta à Roanoke, os viajantes desembarcaram, mas nada encontraram da antiga colônia; tudo que ficou para trás foi uma inscrição entalhada em uma árvore, com a palavra CROATOAN. Essa é a lenda, tal qual é vendida, criando um grande ar de mistério sobrenatural em torno do desaparecimento, que é real e atestado dentro da história da América. Porém ninguém comenta sobre os possíveis motivos desse evento, que na verdade se configuram em um simples êxodo. Era comum e instruído aos colonos mediante às situações de dificuldade, abandonarem o local e rumarem à um próximo de melhor condição. E ao fazê-lo, sempre entalhavam em um árvore seu destino; nesse caso Croatoan, uma ilha ao sul de Roanoke. As difíceis condições de locomoção na época impediram que John procurasse por seus familiares; precisando ele ainda voltar para Inglaterra, devido uma série de problemas. O que dificulta a confirmação do possível deslocamento, embora seja a teoria mais provável. Chegando em Croatoan, se dividiram em duas facções, uma permaneceu no local e a outra migrou posteriormente para Baía de Cheaspeake; essa versão especulada por muitos historiadores é parcialmente atestada por relatos orais, e explica o motivo do desaparecimento dos traços deixados por tais colonos, algo esperado mediante ás estruturas precárias da época.

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Volta de John White e encontro com a árvore entalhada

 

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Antigo mapa mostrando a pequena ilha de Roanoke

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Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!