Supermax: Crítica do novo seriado da Globo

“Quando foi anunciado pela Rede Globo, Supermax deixou os espectadores com a pulga atrás da orelha, e o fez pelo conteúdo atípico que aparentava trazer. Mistério e terror em um formato de reality show, padrão que poderia atrair outro tipo de público, pela influência que claramente o seriado buscou em outras produções internacionais famosas em audiência. Mas será que o resultado final tem potencial para agradar? Confira em nossa crítica.”

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Supermax, que foi para o ar na última Terça-Feira (20/09/2016), previamente já havia liberado 11 dos seus 12 episódios no Globo Play, logo foi possível acompanhar a série quase até seu desfecho, pois o final deve estar disponível apenas em Dezembro, saindo em simultaneidade com a TV. De início, notamos o padrão Big Brother do qual a série constrói sua estrutura básica, com direito aos elementos chave do famoso reality, tais quais: O confessionário, “bigfone”, eliminações, provas para definir líderes e imunes ao “paredão” e como não poderia faltar, o próprio Pedro Bial apresentando o programa. Os 12 participantes são confinados em uma prisão, adaptada para o reality, que está situada no Acre (Sim, no Acre!), com o diferencial que todos os personagens são marcados por um crime e compartilham de uma personalidade/natureza sombria. No confinamento, logo surgem os conflitos iniciais, esses quase sempre forçados. E “forçado” será uma palavra recorrente em nossa crítica. Tudo caminha relativamente bem até a primeira prova do líder, mas algo acontece e a produção parece ter desaparecido sob misteriosas condições, o que deixa nossos participantes “à deriva” no inóspito local. Aumentando o clima de intrigas e paranoias, ao tempo que as circunstâncias despertam o pior lado de cada jogador.

No elenco, temos alguns nomes de peso da teledramaturgia nacional, como Mariana Ximenes e Cléo Pires; tal peso é visível na maneira como ambas são inseridas na narrativa. O restante do cast é competente, porém são prejudicados por seus personagens, seja em seus diálogos ou na maneira que interagem uns com os outros, sempre há uma situação/diálogo forçado e que surge do nada, sem fundamentações ou algo que pudesse justificar aquilo, e essa sensação permaneceu nos 11 episódios assistidos. A trama também sofre por seu tema ser quase que indefinido, a série se esforça para buscar influências em produções como The Walking Dead, True Detective (vide a abertura), American Horror Story, Lost, etc. E tal influência é sim perceptível, porém são rasas na maneira que são apresentadas, principalmente no início da trama. Nunca sabemos do que realmente se trata tudo aquilo. Temas como: Rituais satânicos, psicopatia, criaturas misteriosas, demônios da cânone bíblica, fantasmas, entre outros, são lançados em cena sem aprofundamento aparente e acabam sendo ineficientes e forçados, como acontece com o restante. O enredo, no que diz respeito às decisões tomadas frente tal situação, também é forçado e pouco faz sentido. Muitas vezes parece um improviso, os personagens tomam atitudes aleatórias, sugerindo precariedade na história escrita para produção.

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Apesar dos pesares, a estrutura do mistério criado consegue se manter de pé, e pode fisgar o espectador para que esse se mantenha ligado até o fim. Supermax trabalha com os famosos ganchos que interligam os episódios, e o faz de maneira eficiente, é certo que queremos sempre passar para o próximo, em prol de respostas. A dinâmica dos episódios também agrada. O formato, um pouco mais curto que o habitual, não torna o produto cansativo. Essa dinâmica estrutural, aliada ao forte suspense, fazem do seriado uma experiência divertida. E essa sensação é ampliada ainda pela excelente qualidade técnica disposta nos efeitos especiais e na produção geral, podendo sim atrair o público que busca uma variedade no mercado nacional referente à esse tipo de conteúdo. Sabemos que o mercado brasileiro carece de produções voltadas ao gênero e Supermax é uma tentativa de quebrar esse paradigma. Apesar do produto não ser totalmente acertado em seu conteúdo, traz uma experiência nova e que pode se mostrar agradável para quem busca algo do tipo no escaço mercado do país.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!

  • Anderson Manine

    Gostei da sua crítica…TODOS os sites especializados foram muito severos com a série Supermax.Gostei do elogio que fez ao ponto do mistério prender o espectador. Realmente isto ocorre.Sua análise foi a mais imparcial.Percebi nos outros sites preconceito com o produto nacional…O velho espírito de vira lata! É obvio a influência da era das séries americanas pós – Internet. A série foi duramente críticada por utilizar uma espécie de “Mosáico de clichés”.Ou seja, numa série ousada e diferente para o padrão Globo, crítica-se a utilização de clichés.O que é até inevitavel, pois as séries ‘inspiradoras’ utilizam, e muito, este recurso,e ganham muitas análises positivas, enquanto com o pioneirismo de supermax, pegam mais pesado.
    A crítica mais rídicula foi a ‘interpretação’ do Pedro Bial… Putz! Quer dizer que o Bial interpretou mal ele mesmo ( http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/09/1813815-supermax-promete-mas-vicios-de-tv-atrapalham.shtml )? Me lembra aquela historia de que Charlie Chaplin ficou em terceiro num concurso de sócias de carlito.

    No Mais, abraços