Westworld: Saiba mais sobre a série e confira as primeiras impressões do piloto

Não é segredo para ninguém que J.J. Abrams e Jonathan Nolan são grandes nomes componentes do atual gênero ficção científica, e quando a HBO propôs uma série que unisse os dois, o público fiel voltou sua atenção para o novo produto, que também conta com um elenco de peso. Westworld, baseado em um filme homônimo, já nasce forte dentro de uma estação marcada por estreias nos mais diversos gêneros. Confira nossas primeiras impressões acerca do piloto e saiba um pouco mais sobre a obra original que inspirou a série.

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É certo que Michael Crichton não é um nome estranho aos entusiastas da ficção científica, o autor assina diversas obras literárias e enredos que foram parar nas telas, títulos como Parque dos Dinossauros e O 13° Guerreiro são alguns exemplos dentro da extensa lista. E Westworld também está enquadrado na premissa. Escrito e dirigido por Crichton, o título surgiu em 1973 como um longa-metragem, e é famoso por ser o primeiro a utilizar computação gráfica, que ainda engatinhava na década de 70. A trama apresenta um imenso resort composto por três parques temáticos, dentro dos temas, temos um castelo medieval, Roma antiga e o Velho-Oeste de 1880, que recebe o foco principal dentro da história. Os três são compostos por complexos robôs, que imitam humanos e animais perfeitamente, e seguem um roteiro pré-estabelecido de interação. Quem pode pagar pela cara estadia no resort, convive com os androides, além de possuir total autonomia para “ser e fazer” o que bem entender dentro do universo encenado. Por razões lógicas, é impossível que uma máquina ataque um ser vivo, mas sabemos que as coisas nunca vão bem nos parques de Michael Crichton, os robôs são acometidos por uma série de falhas e se revoltam contra os humanos ao tempo que a direção do parque perde completamente o controle sobre suas criações, resultando em total catástrofe.

Androides ganhando vida e agindo por conta própria não é algo novo nos dias de hoje, mesmo antes da década de 70, já tínhamos títulos literários como Androides Sonham com Ovelhas Elétricas (Philip K. Dick) e Eu, Robô (Isaac Asimov) que inspiraram diversas obras e adaptações dentro do gênero. Westworld propôs algo um pouco diferente ao situá-los e vendê-los, como forma de entretenimento, em um parque que recriava um momento histórico importante. Motivados pelo potencial da trama, Jonathan Nolan (Interstellar) e J.J. Abrams (Star Wars: O Despertar da Força) aproveitam desse universo proposto por Crichton e concebem uma trama profunda e munida de muitos requintes filosóficos que, apesar de não serem inéditos, são raros e sempre merecem atenção. Se na trama de 73 os robôs eram genéricos e agiam de forma artificial, na série que acaba de estrear (02/10), as máquinas tiveram seus conceitos extremamente modificados. Agora os androides beiram a humanidade pela inteligência artificial que lhes fora concebida. Seguindo na mesma linha do filme, o resort trabalha com diversas temáticas, sendo o Velho-Oeste a receber o foco; temos duas narrativas principais, a trama situada no oeste típico e repleto de arquétipos como herói, mocinha e bandido; além da história situada na empresa e nos criadores da atração, que conta com Anthony Hopkins à frente do projeto. Interessante notar como tais tramas se interligam, ao tempo que são independentes e ricas em ambos os casos. Os androides são incumbidos e intuídos, através de conversas que beiram sessões psiquiátricas, a bem receber e interagir com os “recém-chegados,” pessoas que pagam pela estadia no local. Sendo tais androides utilizados em diversos roteiros fictícios, esses começam desenvolver algumas memórias sobre seus antigos papéis, sugerindo resquícios de auto-consciência, pois os mesmos não sabem sobre sua condição e acreditam veementemente serem pessoas em um mundo real. Por tamanha AI aplicada, o debate filosófico sobre “Aquilo que nos define humanos” é levantado, junto com a extensa discussão acerca do conceito de “alma” e sua associação com a auto-consciência, algo que já vimos em Blade Runner e Ghost in the Shell, e que é tratado de maneira competente pelos criadores. Temos o embate sugerido e simbolizado em quase toda sequência, como nas citações de William Shakespeare e da poeta Gertrude Stein sobre a dinâmica da existência, sendo essas provindas da boca de um androide. Os diálogos evidenciam ainda a questão do “ser real” invocada todo tempo na trama, ao tempo que são munidos de uma consciência quase humana, as máquinas questionam acerca de sua própria existência como meros personagens daquele universo; algo que gera conflitos constantes para seus criadores, pois apesar da realidade empregada nos seres robóticos, os gerentes do parque esperam um comportamento restrito e controlado por parte de suas criações. O elenco acertado também conta com a presença do brasileiro Rodrigo Santoro, além de nomes como Evan Rachel Wood e Ed Harris. Todos pontuais, como de costume, em suas atuações. A qualidade técnica apresenta bem o conceito de futuro que os produtores idealizaram, algo reforçado pelos excelentes efeitos especiais, dignos das produções concebidas pelo canal. A narrativa do Velho-Oeste ainda é marcada por cenas de ação bem orquestradas, com um apelo visual forte e preciso ao reconstituir o violento cenário.

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Apesar do excelente piloto, pouco da história fora revelada e um atrativo mistério ainda perpassa a proposta da série. Tantos elementos positivos situam Westworld como um das melhores produções do gênero já concebidas, e uma das maiores estreias entre tantas que marcam o outono americano. Discussões filosóficas já apresentadas em filmes como Matrix, Blade Runner, entre outras obras são revisitados por dois nomes de peso que empregam todo seu talento para essa acertada produção.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!