Inferno: Confira a crítica do mais novo longa baseado na obra de Dan Brown

“É certo que muitas obras literárias compuseram a primeira década de 2000 e Dan Brown talvez seja um dos nomes mais citados no início do novo milênio, feito esse, alcançado por sua obra máxima: O Código da Vinci, best-seller mundial que aparece na lista dos mais vendidos. Em 2006, Tom Hanks protagonizou o filme baseado no livro, tendo Ron Howard à frente da direção, e dez anos após o lançamento do título, mais uma obra do autor é adaptada nos cinemas, mas será que temas históricos ainda conseguem se destacar atualmente no mercado de blockbusters? Descubra na nossa crítica.”

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Inferno, livro de Dan Brown que apareceu em 2013conquistou facilmente o título de best-seller no ano de seu lançamento. Como esperado, sua trama trouxe mais uma aventura do professor Robert Langdon, dessa vez em uma enorme conspiração, estando a chave para resolvê-la contida na Divina Comédia, obra de Dante Alighieri escrita no século XIVLogo, a produção do filme baseada no título foi anunciada como continuação de O Código da Vinci (2006) e Anjos e Demônios (2009), mais uma vez trazendo Tom Hanks como Robert Langdon, além de Rom Howard na direção.

Dentro das obras do autor, talvez Inferno se configure como título mais desafiador para uma adaptação cinematográfica, sua linguagem imprime fortemente a ideia purista de literatura, e nada é convidativa para possíveis conversões, algo notável quando chegamos ao final do nova longa que estreou na última quarta-feira (12/10). Os problemas com a narrativa surgem desde o início da trama, onde o professor acorda em Florença incapaz de se lembrar dos fatos ocorridos nos últimas dias, frutos de uma suposta concussão craniana. Logo ele tropeça em uma enorme conspiração sobre um atentado terrorista de escala mundial, e para desvendar o mistério conta com a ajuda da médica Sienna (Felicity Jones. De Rogue One – Uma História Star Wars), tal amnésia é utilizada como recurso para gerar total confusão ao espectador, onde o mesmo deverá, junto ao protagonista, solucionar as pistas e descobrir os fatos que perpassam a trama. E é justamente nessa premissa onde o enredo peca, no livro temos uma construção riquíssima e que de fato leva o leitor a pensar, ao tempo que contempla toda história, que bem sabemos servir de palco para as obras de Dan Brown. No filme, só ficamos com a confusão que gera certa monotonia e faz o enredo parecer truncado em muitas partes, principalmente no início que obrigatoriamente deveria fisgar o público. Os erros de timing também prejudicam as atuações, fazendo a interpretação de Tom Hanks parecer cansada no papel do professor, o problema se estende também à personagem vivida por Felicity, essa sem expressividade alguma dentro da trama. A própria questão histórica, que é a proposta principal do livro e das outras obras do autor, parece ter sido deixada de lado e é sempre atirada na tela de maneira rápida, aleatória e consequentemente não aprofundada, apesar da linguagem cinematográfica exigir essa dinâmica, o tema conseguiu ser tratado dentro da proposta nos últimos dois longas, esses também encabeçados por Ron Howard, não justificando o descaso com a “história.” Com relação a qualidade técnica, essa imprime uma boa impressão, locações que passam por cidades históricas belíssimas e efeitos especiais dignos do diretor são pontos positivos encontrados aqui e ajudam a equilibrar a parte negativa da experiência.

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Apesar de todos os problemas apontados, Inferno ainda tem seu atrativo, o thriller proposto tem potencial para prendar a atenção, desde que haja certa paciência por parte do espectador quanto ao timing acerca do desenrolar dos eventos. Ainda temos em mãos uma obra de Ron Howard, que traz alguns requintes que são marcas registradas do diretor, justificativa mais que positiva para os fãs buscarem pelo filme, embora o longa seja o mais fraco dentre, até então, trilogia.

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!