[Robotflix] Os 12 Macacos

A ficção científica apocalíptica tomou de vez o Robotflix nas duas últimas semanas. Após nosso último post sobre o Expresso do Amanhã, uma obra extremamente recente que tem refletido sua influência em jovens cineastas da atualidade, é importante falarmos também de um clássico moderno que gerou muitas discussões à sua época e se mantém como um dos melhores e mais originais filmes do gênero nos últimos 25 anos: Os 12 Macacos.

A trama apresenta a história de James Cole (Bruce Willis), um sobrevivente de um terrível vírus que dizimou mais de 90% da população mundial a partir de 1996. Cole e seus companheiros estão em 2035 e estudam a possibilidade de consertar o futuro através de uma viagem no tempo, garantindo que o vírus nunca tenha existido. Cole se torna o voluntário para essa experiência, mas ao “aterrissar” no ano de 1990 e não em 1996, as coisas aparentam ser mais complexas do que aparentavam. É interessante notar que uma história como essa soaria comum para muitos ouvintes, como um típico filme de viagem no tempo que conta com suas reviravoltas previsíveis à medida que os acontecimentos avançam e precisam entreter seu espectador. Não é o caso de Os 12 Macacos, porém. Ao contar Terry Gilliam na cadeira de direção, o longa consegue garantir uma curiosa sensação de conhecimento e estranheza em sua narrativa, dado o histórico do diretor em inserir elementos fantásticos e bizarros em suas histórias.

Misturando um senso de realismo com sua pitada de excentricidade, Gilliam consegue criar, através do roteiro de David Webb e Janet Peoples, um filme que transita entre as verdadeiras noções daquilo que consideramos como presente e passado. Os rumos tomados pela trama adotam traços quase niilistas, ao mostrar que, por mais que lutemos contra o passado e desejemos alterar o futuro, o fluxo contínuo da história sempre consegue alcançar uma maneira de tornar o previsto em inevitável. Por isso, é importante perceber que Os 12 Macacos toma seu tempo e cria sua própria atmosfera fugindo de padrões vistos frequentemente no cinema de ação e/ou ficção científica. Sua narrativa desfuncional é a própria maneira de Gilliam ilustrar a desfuncionalidade do próprio tempo, o que imprime uma personalidade ainda maior ao longa.

Os 12 Macacos é, sem dúvidas, uma das grandes obras de um diretor que não se reprime ao colocar todas as suas características e capacidades criativas. Seu sucesso foi tanto que gerou um grande cult following com o passar dos anos, sendo a base para uma série de televisão produzida pelo SyFy, que falaremos mais a frente para que você possa mergulhar totalmente na experiência de Os 12 Macacos. Se você procura um filme que lhe entregue uma visão única de um cineasta para uma história fadada ao lugar comum, Os 12 Macacos está à sua disposição no Netflix, contando com nomes como Bruce Willis e Brad Pitt em seu elenco.

Confira o trailer:

 

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.