Ouija: Origem do Mal – Crítica

“É certo que James Wan, nos últimos anos, deu uma nova cara ao gênero terror, trabalhando elementos clássicos e trazendo alguma inovação, o diretor concebeu longas acima da média dentro do estilo tão batido, e muitas produções recentes parecem pegar carona nesse sucesso, negativamente gerando produtos genéricos e sem alma, situação que já parece corriqueira no atual mercado, mas será que o Ouija sofre do mesmo mal? Confira!”

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Mike Flanagan, em 2013, apresentou o ótimo título “O Espelho“, a produção acertada mostrou um diretor capaz de realizar um trabalho digno dentro do gênero, criando um clima amplamente construído pelo aspecto visual e por atores bem conduzidos. O diretor retorna esse ano com o recém lançado Ouija – Origem do Mal, prometendo trazer um longa melhor que seu antecessor, Ouija – O Jogo dos Espíritos, horror teen pouco expressivo lançado em 2014.

Na trama temos Alice Zander, interpretada por Elizabeth Reaser, da Saga Crepúsculo. Com a recém perda de seu marido, ela deve enfrentar os novos desafios acerca de sustentar a casa e cuidar sozinha de suas duas filhas, e o faz através do trabalho de vidente. Logo na primeira sequência, temos uma composição brilhante onde Alice conduz uma sessão espírita em sua casa, a montagem da cena é precisa e evoca o bom apelo visual, campo do qual o diretor já se demonstrou competente antes, a ambientação também é um forte contribuinte para o clima proposto, o ano é 1969 e podemos ver o cuidado com a retratação até na abertura, onde o logo clássico da Universal é exibido. Ao final da sequência, descobrimos que a sessão não passou de uma fraude orquestrada pela mãe, junto de suas filhas, com o propósito de ajudar seus clientes a se libertarem da dor de perder um ente querido. Apesar da primeira sequência ser animadora, logo descobrimos que o restante do filme também não passa de uma fraude, a trama degringola a ponto de se tornar insustentável e sua ruína é acompanhada por uma qualidade técnica ruim, empregando efeitos de computação gráfica que beiram o ridículo, um verdadeiro exemplo de material não aproveitado; temos um elenco razoável e um clima sessentista fielmente recriado, mas que pouco é aproveitado, servindo apenas como plano de fundo para uma história rasa. O pontapé inicial é dado quando a filha mais jovem encontra um tabuleiro de Ouija recém comprado pela mãe, em suas comunicações acredita estar em contato com seu pai e outros espíritos ditos bons, enquanto, na verdade, se trata de abominações das trevas, a garota acaba influenciada por uma dessas criaturas e passa a desenvolver um estranho comportamento, onde abre e muito sua boca, a todo momento, em um efeito especial dos mais toscos. Como se a história não bebesse o suficiente da plot de O Exorcista, a trama também utiliza da mesma cânone espiritual do qual James Wan construiu para seus filmes, até um dos espíritos tem aparência similar ao visto em um de seus longas. E para completar temos o desfecho, igualmente ruim, sem nexo e que transmite a sensação de tempo perdido, ao tempo que contribui para o consolidar do quão mal aproveitado fora o elenco.

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Ouija – Origem do Mal não é um título recomendado, suas tantas falhas promovem uma experiência irrelevante, incapaz de gerar medo ou admiração. A indignação vem ainda pelo fato da existência de um bom conteúdo referente ao elenco e ambientação, mas que acaba por ser terrivelmente utilizado. O produto decide ainda copiar outros títulos, ao invés de ser original em sua criação, algo injustificável frente às possibilidades que poderiam ter.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!