[Robotflix] Black Mirror – 1ª Temporada

Black Mirror já não é mais novidade para muita gente. Seja através do próprio seriado ou de todo o frisson criado na internet (“nossa, isso é tão Black Mirror”), fato é que se tornou sinônimo de qualidade e sucesso de público, aliados à uma discussão aprofundada sobre a psique humana. Cada um dos 3 episódios ao longo de toda sua 1ª temporada revelam como nossa sociedade deixa-se levar por uma corrupção moral inerente em nossa natureza, mostrando pouco a pouco os motivos e qualidades que causaram o sucesso da produção. Logo, se tornou uma obrigação moral que o Robotflix também compartilhasse uma das séries mais prestigiadas do mundo como sua dica dessa semana.

Tomando o formato de antologia como direção narrativa, inspirado livremente em Além da ImaginaçãoBlack Mirror consegue imprimir uma caracterização única desde seu primeiro episódio. Suas histórias seguem um único propósito, que é de levar o impacto que apenas Black Mirror é capaz, sem a necessidade de estarem conectadas. Curiosamente, a crescente que vai tomando forma a cada episódio explode em nossas caras ao final do terceiro episódio.

Apostando na tática da construção de atmosfera de “soco no estômago” constante, Black Mirror não é uma produção que busca amenizar temas que aborda, por mais que sua estratégia seja ótima para um público facilmente impressionável. Logo em seu primeiro episódio, somos apresentados à trama envolvendo o primeiro ministro britânico, onde ele deveria se submeter a ter relações sexuais com um porco sendo transmitidas ao vivo, caso desejasse que sua filha não fosse machucada. O absurdo pautado na temática de Black Mirror é perceptível, buscando trazer incômodo e reflexão ao telespectador, explorando de forma inteligente quais são nossos limites e quais são as razões pelas quais aceitamos o descaso com certas pessoas com tanta naturalidade. Escrito e dirigido por diferentes cineastas e roteiristas britânicos, a produção possui um ar tipicamente local em sua realização, sendo capaz de dar personalidade única para cada um de suas histórias.

Acima de um fenômeno da internet, que desapareceria com facilidade conforme suas previsões, Black Mirror demonstra que chegou para ficar e tomou seu próprio caminho ao encaminhar mais 3 novas temporadas, assim como a participação de grandes atores como Jon Hamm para os anos seguintes. O produção da Netflix demonstrou que a companhia mais uma vez soube construir uma franquia de forma sólida e que compreende os anseios do mundo atual. Mesmo que jogue diversas verdades inconvenientes em sua cara por horas a fio.

Confira a 1ª temporada de Black Mirror pelo Netflix e nos conte o que achou, fechado? Até o próximo Robotflix!

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.