The OA: Crítica da nova série original da Netflix

“The OA acaba de estrear e já podemos ouvir um barulho sendo criado acerca da produção, comparações com Stranger Things e uma vasta divisão de opiniões sobre a qualidade do material inundaram a rede nos poucos dias que sucederam seu lançamento, com grande potencial a série é um nome de peso e mais um produto original da Netflix, mas será que todo barulho é justificável? Descubra agora em mais uma crítica!

Brit Marling e Zal Batmanglij já demonstraram ser uma dupla eficiente na concepção de longas perfeitamente configurados dentro do gênero indie, vide A Seita Misteriosa, título de 2011 que trouxe ambos no roteiro. Lembremos também que Brit protagonizou e roteirizou A Outra Terra em parceria do diretor Mike Cahill, fita independente e com temas comuns ao trabalho da cineasta, o filme ainda recebeu uma premiação em Sundance. Se você conhece os títulos mencionados, e outros como “O Universo no Olhar“, vai se sentir em casa com The OA. Brit Marling e Zal Batmanglij assinam a criação da série que estreou na última sexta (16/12) na Netflix. O serviço de streaming decidiu fazer certo mistério acerca do título, pouco material de propaganda fora revelado e nenhum trazendo grandes detalhes sobre a complexidade do produto que já está disponível em 8 episódios na primeira temporada.

Em primeiro momento notamos certa similaridade com Stranger Things, inclusive temos referências claras ao seriado, porém logo percebemos o quanto as duas tramas se distanciam no quesito dos próprios temas abordados, sem dúvidas ambos são recheados de mistérios que atiçam o imaginário popular, mas a similaridade para por aqui, pois The OA se preocupa em apresentar requintes da política social que compreende, atualmente, nosso meio diário. Logo torna-se inviável uma comparação entre os dois títulos, portanto não esperem encontrar similaridades ao assistir. Na trama Prairie Johnson (Brit Marling) é uma jovem que após 7 anos desaparecida retorna ao lar, porém a garota cega no passado agora pode enxergar normalmente, fenômeno que causa grande comoção por parte da comunidade geral onde a garota vive com seus pais adotivos. Partindo dessa premissa, a pergunta básica proposta é: O que aconteceu nesses 7 anos? No decorrer dos 8 episódios da temporada inicial, Prairie conta sua história repleta de mistério, misticismo e desventuras, e o faz para um grupo de 5 indivíduos, recrutados por ela, em prol de uma suposta missão, indivíduos esses que não poderiam ser mais distintos, daí parte o primeiro aspecto social tratado pela série, a questão da pluralidade. No grupo mencionado, temos pessoas de diferentes idades, orientação sexual, visão acerca da vida, e como não poderia ser diferente, os mais variados problemas envolvendo convívio, família, etc. Essa preocupação é apresentada de forma sutil, de modo que sabemos de sua existência e importância, mas que não comete o erro de cair em exageros e exacerbações que podem forçar a narrativa e fazer com que o espectador engula a seco o problema social. A produção, em nenhum momento, se preocupa em vender um ponto de vista que supostamente seria o certo, ao tempo que consegue ser tocante e inspiradora na mensagem que busca proporcionar. Falando em misticismo, a série usa e abusa das mais variadas místicas que perpassam os mistérios acerca da vida e o faz utilizando de algumas referências religiosas, não só da cânone cristã, mas de outras crenças também, além de introduzir alguma ciência afim de conciliar as duas vertentes tão distantes, ciência e religião. Tais momentos são sempre interessantes, mas exigem do espectador uma faculdade sempre difícil de conceber, a de “expandir a mente.” A principal ideia com qual o seriado trabalha é a possibilidade de rompimento com conceitos conservadores, sejam esses sociais, espirituais ou científicos, afim de ampliar nossa visão não só para as místicas, mas para a mítica que perpassa nossa existência. A ideia de que nem tudo é definido, da complexidade do universo que ainda guarda mistérios inesgotáveis à nossa concepção acerca de tudo, de que o certo por muitas vezes pode ser posto em evidência, etc. Reforço a ideia de que The OA não quer que você compre um ponto de vista, mas que expanda sua capacidade subjetiva acerca de estar aberto às inúmeras possibilidades que o universo pode apresentar.

Enfim, concluo dizendo que The OA não é uma produção para todos, é preciso certa sensibilidade e coragem para apenas enxergarmos alguns dos temas propostos pela série. Além da parte filosófica que a compreende, temos uma trama sólida e um bom suspense desenvolvidos através de uma narrativa acertada. A qualidade técnica impressiona aqui, uma fotografia delicada e uma trilha sonora pontual fecham o pacote e fazem da experiência inspiradora para quem é capaz de sorver todo o conteúdo apresentado, afinal filmes autorais são raros, quem dirá uma série. É importante dizer ainda que para os familiarizados com esse tipo de produção, é um prato cheio e de fácil consumo, os 8 episódios são dinâmicos e convidativos para uma bela maratona.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!

  • Roj Ventura

    Nem vou continuar assistindo pra não ficar com raiva do final tonto que o primeiro episódio já mostrou que vai ter.

  • Naiane Oliveira

    Série maravilhosa!! Trilha sonora top também.