Assassin’s Creed: Nosso veredito sobre o filme

Mesmo antes de sua estreia, Assassin’s Creed já sofria com as duras críticas provindas de todos os cantos da WWW. Como de praxe, a nova corrente de “críticos” munidos de seus enormes textos de ódio que proferem acerca de tudo e todos, expressaram suas pobres opiniões sobre o longa, desprovidos de qualquer argumento válido ou premissas básicas no que diz respeito ao exercício da crítica cinematográfica formal. Esse novo fenômeno já se repete tem alguns anos, onde podemos notar o padrão similar e que agora parece influenciar os principais sites especializados que a maioria acompanha, gerando malefícios ao espectador que por muitas vezes é levado a acreditar que não existem produções que valem a pena atualmente, e o fazem tão somente para não nadar contra a corrente. 

Dirigido por Justin Kurzel, que já trabalhara antes com Fassbender na excelente adaptação de Macbeth: Ambição e Guerra, Assassin’s Creed chega as telas com o desafio de adaptar a franquia de jogos homônimos da empresa Ubisoft, ao tempo que deve manter sua característica de mídia independente e atender o público que não está familiarizado com o game. Nos tempos de hoje, tais adaptações devem obrigatoriamente fazer o fan service em prol de satisfazer os seguidores mais assíduos, porém nem mesmo esse artifício parece funcionar perante à nova corrente descrita na introdução. Logo a análise proposta nesse post estará fundamentada nas questão básicas que a crítica cinematográfica propõe ao definir se o título em questão é ou não recomendável, ainda dentro da proposta, essa review é tratada de maneira independente aos jogos, não levando em consideração o mérito de sua qualidade, ou ainda se a franquia de games se perdeu em algum momento, como fora utilizado em muitos argumentos infrutíferos ao tratar de uma mídia completamente diferente que é o cinema.

A história tem início com uma breve introdução à ordem dos assassinos, cuja a premissa é proteger um artefato místico buscado pela ordem templária. Apesar de não termos um punhado de informações complementares sobre tais ordens, como seu surgimento, atuação através dos séculos, fundadores e afins, sabemos de seus métodos e objetivos, que são realmente importantes para o entendimento do longa, que preza pelo dinamismo no ritmo proposto. Esse ritmo é uma tentativa clara de atender o público acostumado com a linguagem de vídeo-games, o que para a trama é um tanto quanto prejudicial, já que o caráter histórico abordado pela fita necessitaria de nuances mais próximas de épicos como “O Patriota” e “Robin Hood“, ambos empregam um cuidado pontual com o período histórico em questão e se munem de artifícios como o ritmo intercalado entre ação e momentos mais calmos, dispostos ao longo de uma duração que geralmente é maior em comparação com títulos usuais. Assassin’s Creed, em sua proposta, não consegue atingir essa característica, justamente por trabalhar com essa linguagem dinâmica e que termina por empregar um tom simplório ao filme, característica típica de títulos que promovem o dito fan service. Vemos o longa funcionando em dois momentos distintos, presente e passado. No presente Callum Lynch (Michael Fassbender) é “recrutado” pela Abstergo, empresa financiada pela ordem templária que tem por objetivo encontrar a Maçã do Éden, um artefato com o poder de controlar toda população. A empresa desenvolveu um programa chamado Animus, criado pela cientista Sofia (Marion Cotillard) o dispositivo pode acessar uma espécia de memória genética contida no DNA, revelando o passado de um ancestral. No caso de Lynch, seu seu antepassado é Aguilar, um membro da ordem dos assassinos que supostamente teria tido o último contato com o artefato buscado pelos templários. No passado, a história de Aguilar é revelada em meio à inquisição espanhola de 1492, onde a ordem templária invade Andaluzia em prol de recuperar a maçã que se encontra nas mãos de um sultão que ocupa o local. Logo temos a maior parte da ação ocorrida nessa período, onde assassinos e templários promovem ótimas sequências de ação, com combates e perseguições pontuais quanto à qualidade técnica, sempre embalados por uma trilha sonora expressiva e pertinente ao momento. Presente e passado se complementam bem aqui, uma espécie de metalinguagem os permeia no que diz respeito às revelações em ambas vertentes, a trama de Lynch é sempre alicerçada por sua relação com Sofia e a química Fassbender/Cottilard funciona muito bem, apesar da relação dos dois sair prejudicada pelo mesmo ritmo acelerado que descrevi anteriormente. Talvez uma versão estendida possa fornecer uma experiência completa, embora não tenhamos nenhuma informação sobre isso ainda.

Apesar das falhas no ritmo, o longa ainda é recomendável. O fan service é competente e traz praticamente todos os elementos que consagraram o game, a qualidade técnica não faz feio ao conceber suas sequências de ação sempre pontuais e o enredo consegue ainda se manter interessante até o final, mesmo sendo prejudicado pela linguagem adotada. Por fim, encerro dizendo que o espectador pode e deve ir contra o movimento hater, ir ao cinema e tirar suas próprias conclusões, sejam essas positivas ou negativas, mas que sejam livres da opinião proferida pela maioria cujo argumento é a própria maioria.

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!