[RobotReview] Sherlock: Crítica da 4° Temporada

Três anos, esse foi o hiato que separou a terceira da quarta temporada de Sherlock, iniciada oficialmente no dia primeiro desse ano, se desconsiderarmos o especial “A Noiva Abominável.” Tantos anos de espera contribuiu para elevar a dita hype dos fãs em alturas inimagináveis, fenômeno esse que tem refletido diretamente na crítica do grande público que já promovem seus textos de ódio ao seriado, que supostamente não teria entregado um material a altura daquilo esperado. Mas será que isso é uma verdade, ou é só mais um barulho sem sentido da internet? Descubra em nossa crítica. 

The Six Thatchers foi o primeiro dos costumeiros três episódios, sempre dispostos em durações maiores de aproximadamente 90 minutos, esse tem o início exato após o término da última temporada acerca dos eventos sucedidos na ocasião. Lá fora sugerido a volta eminente de Jim Moriarty (Andrew Scott). Em primeiro momento o episódio mostra a suposta névoa, que carrega consigo as consequências desse retorno, pairando sobre os acontecimentos iniciais, mas logo percebemos o desvio da trama que vem para trabalhar a relação Sherlock/Watson/Mary. O episódio talvez seja o mais importante entre os três, pois constrói dolorosamente a nova premissa da qual o restante da série terá como palco. Marcado por grandes eventos, o episódio é interessantíssimo e resgata o passado de uma personagem querida, ao tempo que o mesmo volta para assombrá-la e consequentemente o restante do grupo. Com o pontapé inicial armado, temos a ponte e essa traz perfeitamente o arquétipo de sua função como passagem intermediária. Toby Jones interpreta um dos vilões mais desafiadores da carreira do detetive, com direito a reviravoltas de tirar o fôlego, o capítulo também lida com o amadurecimento dos protagonistas ao tempo que os mesmos enfrentam os eventos irreversíveis da premissa anterior. O final deixa um gancho perfeito para continuação direta, que nos leva para o último episódio da temporada e talvez um dos melhores já compostos. Quando digo composição, não consigo encontrar outro adjetivo acerca do encerramento, afinal são tantos elementos em cena que se unem em prol da construção final, sendo essa casada perfeitamente com as duas sequências anteriores, configurando o que sem dúvidas é a temporada mais integrada entre todas. A trama se mune de novos personagens inseridos de maneira a parecer fora de contexto no início, mas a produção esbanja competência ao contextualizá-los através de um roteiro acertado, em momento algum tais personagens transmitem a sensação que caíram de paraquedas na história, e maturidade é a palavra que encontro para todas as instâncias que permeiam os demais elementos do seriado. John e Sherlock nunca estiveram tão bem resolvidos quanto suas emoções e objetivos, ao tempo que a química dos dois só pareceu aumentar com o tempo, tal qual a atuação dos atores que ainda permanece impecável. Mycroft parece tomar partido dessa química, tudo graças à maneira como abordaram o personagem nesse encerramento, finalmente revelando sua face mais sentimental. 

Apesar do tom de encerramento, que ainda não foi confirmado oficialmente, Sherlock entrega sua temporada mais dramática e finalmente parece atingir o seu ápice em maturidade ao unir todos os elementos que concebem à série o posto de uma das mais brilhantes da atualidade. Com uma qualidade técnica que sempre manteve o alto padrão e atores que em nenhum momento caíram no perigo de se tornarem caricaturas, a quarta temporada só consolida o bom legado que a série tem proporcionado.

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!