[Review] Resident Evil 6: O Capítulo Final

É certo que os filmes da franquia Resident Evil dividem opiniões, os fãs do game consideram o título infame, por não fazer jus ao enredo e ainda desvirtuar grande parte dos personagens comuns ao jogo. Enquanto há um nicho que abraçou a ideia e encontrou diversão nos capítulos cinematográficos, que já recebe o sexto e supostamente último episódio. Como o título sugere, Resident Evil 6: O Capítulo Final chega para trazer o desfecho de uma franquia iniciada em 2002,  mas será que o longa se redime aqui, ou ainda é capaz de agradar o público que já conquistou? Descubra em mais uma crítica!

Sem rodeios, iniciarei a crítica dizendo que O Capítulo Final utiliza da mesma fórmula vista em todos os outros filmes da franquia e que foi potencializada a partir do terceiro longa, Milla Jovovich novamente entrega uma Alice sem limites, que usa e abusa de suas habilidades em sequências de ação orquestrada pelo seu marido e diretor Paul W. S. Anderson. O diretor não faz feio na concepção de tais sequências que, em suma, são os maiores atrativos do longa e também o artifício responsável por ainda levar o público ao cinema, algumas cenas com planos abertos enfatizam o potencial de Anderson como diretor de ação, embora a fita sofra com as típicas tomadas picotadas, essas exaustivamente utilizadas dentro do gênero atualmente. Quanto à qualidade técnica, é certo que a franquia evoluiu de modo interessante, afinal 15 anos pedem por diversas roupagens e Resident Evil consegue promover melhorias positivas em seu visual que, como já falado, é o maior atrativo dos longas. Uma pena essa característica não se estender para o enredo, o ponto fraco que permeia todos os títulos e que parece ter piorado conforme progredira. Plot genérica, twists mal elaborados e algumas anomalias de roteiro acerca das transições entre-longas que beiram o ridículo estão presentes aqui, como já estiveram presentes nos outros filmes da série, essas tornam a experiência pobre, podendo desmotivar o próprio público que desde cedo acompanhou a franquia, afinal estamos falando de títulos que atualmente são a maior expressão acerca de adaptações de games para o cinema, chegar no sexto episódio comprova essa afirmação, portanto o cuidado deveria ser maior aqui. Simplesmente a impressão que fica é da produção ter abraçado o descompromisso acerca de como concebem seus títulos.

Apesar de tudo, o longa é o melhor da franquia, não que isso significa muita coisa, pois ainda estamos falando de uma série absolutamente fraca. Alguns elementos aqui presentes trazem destaque ao produto, como o belo visual do mundo apocalítico, enfatizado por uma fotografia competente e ainda complementado por efeitos especiais de qualidade, dispostos em sequências de ação pretensiosas e que funcionam na maioria das vezes. Milla, mais uma vez, veste muito bem a personagem e apesar de toda precariedade do enredo e a construção dos personagens ser praticamente nula, a protagonista parece ter evoluído até chegar aqui, além da atriz funcionar muito bem dentro da ação, o que não acontece com restante do elenco visto no título, esse totalmente inexpressivo. O maior destaque fica para o início da fita, onde vemos Alice caminhando sozinha, coletando alguns itens e tentando chegar a um determinado ponto, algo que pode proporcionar o feeling encontrado no universo gamer e que tem seu ápice nos dois combates que marcam a sequência, porém essa sensação é logo interrompida para dar lugar a história caótica e inconsistente que o título tenta empurrar em prol do desfecho, esse tão pobre quanto os demais elementos já discutidos aqui. Portanto se você faz parte do nicho que já acompanha a aventura e se diverte com ela, vai querer acompanhar o final, caso contrário, mantenha distância!

Confira o Trailer

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!