[RobotReview] Punho de Ferro

É certo que o último defensor estreou na Netflix em clima de muita polêmica, afinal antes mesmo de sua derradeira estreia, vários sites de crítica especializada se posicionaram negativamente acerca da qualidade do material. Logo nos propusemos a conferir a série e, de maneira imparcial, conceber um veredito que seja sóbrio e racional na eterna busca de respeitar o espectador. Então não deixe de conferir nossa crítica! 

Punho de Ferro é mais uma produção original da Netflix, que tem por objetivos funcionar como um produto independente e ainda introduzir mais um elo da história que culminará nos Defensores. Na trama temos Danny Rand (Finn Jones) que retorna de um longo período no Himalia, onde após um acidente aéreo o então garoto é encontrado e treinado por monges místicos que dominam artes sobrenaturais secretas. Inspirado pelo quadrinho setentista da Marvel, o herói herda poucas das características de sua HQ original, o que é realmente compreensível nos dias de hoje, portanto devemos nos desvencilhar das amarras literárias e entender que a série funciona como um produto novo e que apenas utiliza das antigas publicações como leve inspiração na proposta concebida. Partindo dessa premissa, temos um produto completo e uma fórmula já vista em outras séries de herói, trajado com um conceito reformulado; o diferencial aqui é mais uma vez o padrão dinâmico da Netflix que disponibiliza um número menor de episódios que podem ser consumidos rapidamente, propondo uma narrativa esperta e agradável e que dificilmente vai cansar o espectador.

A série traz uma relação inicial interessante entre Danny e seus amigos de infância Ward e Joy Meachum, a primeira sequência vista no piloto já propõe um grande mistério envolvendo as duas famílias, grande o suficiente para prender o espectador, além dos famosos ganchos ao final dos episódios que, apesar de clichês, também contribuem no fisgar de quem assiste. E isso se repete até o último episódio, tornando a série perfeita para maratona. Para quem sentiu falta das velhas produções de Kung Fu, a série é um prato cheio ao tratar o tema, com direito ao velho dojo e muitos golpes, em um foco só destinado ao estilo; há tempos as produções ocidentais não tratavam dessa luta tão rica culturalmente. Vários requintes orientais também marcam presença no seriado e certamente são os melhores ingredientes da fórmula, mas como nem tudo são flores, essas sequências sofrem com problemas técnicos; como efeitos especiais fracos e coreografias que poderiam ser melhores em seu desenvolvimento. Embora a história compense tais falhas, ela também apresenta alguns clichês conhecidos, nada que comprometa a experiência. O carisma dos personagens é pontual, principalmente no que diz respeito ao trio citado, com destaque para David Wenham como Harold Meachum, além de termos a ilustre presença de Carrie-Anne Moss, a eterna Trinity de Matrix.

Colocando tudo na balança, Punho de Ferro faz jus ao seriados anteriores e já lançados pela Netflix dentro da cânone dos heróis da Marvel. Apesar de alguns problemas usuais que esse tipo de produção costuma sofrer, temos uma série consistente e que sim, tem potencial para agradar aqueles que já se divertiram com Jessica Jones, Luke Cage e o próprio Demolidor. Sentimos que o material está consubstanciado com essas produções já citadas em prol do conceber Os Defensores que logo estreiam, mas também o percebemos como um produto inédito e que traz nuances diferentes das já vistas até então.

 

 

Renan Gonçalves

Geek assumido. Historiador, assíduo leitor, consumidor de cultura pop (o pop não poupa ninguém). Apaixonado por dinossauros e filmes desde que vi Jurassic Park no cinema! O filme que me desvirginou em 93. Fã de carteirinha de James Bond, desde que vi ele saindo com várias mulheres em todos os filmes, mas ele não me desvirginou (Eu acho). Apelido NAN ou Gaúcho, pois uso nó maragato e até de ginete algumas vezes!

  • Rodrigo Tanaka

    Eu gostei muito de Punho de Ferro.
    Gostei, principalmente, porque NÃO É BOM e não pode ser colocado na balança com Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage. Já tínhamos 3 seriados com um tom sombrio, noturno, com suas respectivas cargas de conteúdo. Faltava algo debochado, algo quadrinhesco.
    Punho de Ferro é isso… é quadrinhesco… tem um tom jocoso próprio dos HQs dos anos 80 e 90, quando o personagem foi criado.
    Está longe de ter o peso e a profundidade de Demolidor.
    Mas ei, Punho de Ferro nunca se propôs a isso, ao contrário.
    Se ele vai COMPLEMENTAR o time dos Defensores, é claro que não poderia ser mais do mesmo.
    Para quem gosta do gênero de super herois, será um bom seriado.