[Robotflix] Frank

É comum, algumas vezes, encontrarmos por acaso um grande filme perdido em meio ao imenso catálogo que seja estrelado por um rosto conhecido, mas que nunca ganhou muita atenção por parte do público. Kurt Russell e Vincent Cassell são alguns nomes de atores que estrelam produções menores para emprestar seu talento e apelo para que o público se sinta mais interessado em conhecer a nova obra. Recentemente, um ator da nova geração tem assumido esse papel em ótimos seguimos filmes: Michael Fassbender. Hoje, o Robotflix vai falar sobre um desses filmes: Frank.

Inspirado na vida de Frank Sidebottom, o alter-ego do excêntrico Chris Sievey, Frank conta a história de Jon (Domhnall Gleeson), um jovem que sonha em se tornar um músico de grande sucesso. Ele leva uma vida rotineira até que conhece Don (Scoot McNairy), o gerente de uma banda experimental que o convida para ser seu novo tecladista. É quando Jon conhece Frank (Michael Fassbender), o vocalista da banda que utiliza uma gigantesca máscara de papel machê o tempo todo e que vive agindo de maneira incomum. Após tocar em seu primeiro show e perceber a loucura em que havia se metido, a experiência muda a vida de Jon por completo e ele decide seguir seu sonho junto com Frank. Logicamente, as coisas não saem como o esperado.

Utilizando o pretexto da bizarrice inserida na premissa do filme, Frank é um filme que não se prende apenas ao campo da música e dos sonhos juvenis que a área carrega consigo. Tratando de temas como a identidade pessoal e a sanidade individual perante as obrigações socialmente convenientes, o longa explora como poucos as facetas que podemos tomar como verdadeiras em busca de um norte para nossas próprias vidas, mesmo que tudo soe errado dentro de nós. Em uma atuação fantástica, onde seu rosto não aparece por quase 80% do filme, Fassbender é capaz de imprimir a dose de humor e cinismo em um personagem que nos lembra muito de nossas próprias decisões e poses. Frank sempre estar certo daquilo que deseja fazer e como o mundo irá absorver sua obra. Porém, quando confrontado com a realidade, sua postura muda drasticamente, partindo para uma fuga inevitável daquilo que sabemos que não podemos controlar. É sempre um grande prazer encontrar e aproveitar filmes como Frank para lembrar que grandes histórias podem estar escondidas atrás de fachadas menores.

Não deixe de conferir Frank em seu final de semana com a Netflix!

 

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.