[RobotReview] Guardiões da Galáxia Vol. 2

Sequência repete os passos e se diverte ao ampliar os conceitos do primeiro filme

Quando chegou aos cinemas em 2014, Guardiões da Galáxia era tido como o provável primeiro fracasso do Marvel Studios. Jogando uma propriedade desconhecida aos leões da audiência, o filme acabou se tornando apenas mais um atestado de como o estúdio sabe trabalhar e reforçar seus personagens. A caracterização, o humor, a bizarrice do cosmos e a trilha sonora setentista dominaram o coração do público e tornaram o grupo em um sinônimo de sucesso, sendo até mesmo considerado por muitos como o melhor filme do estúdio. Após a superação (e a consequente expectativa) trazida após a jornada do filme anterior, coube ao diretor e roteirista James Gunn continuar a história dos Guardiões nas telonas. Dessa vez, com olhares muito mais atentos.

Passados dois meses após derrotarem Ronan, Starlord (Chris Pratt), Gamora (Zoë Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (voz de Bradley Cooper) e Baby Groot (voz de Vin Diesel) contam com uma reputação e são chamados para cuidar de problemas envolvendo ameaças espaciais em troca de dinheiro. Após uma de suas aventura, o grupo conhece o pai de Peter Quill, Ego (Kurt Russell) e descobre mais a respeito de sua verdadeira origem. Contudo, algo dá terrivelmente errado e os Guardiões precisam salvar a galáxia mais uma vez. É possível perceber desde o primeiro minuto em como Gunn pesquisou e se divertiu ao conceber todos os detalhes da trama de Guardiões da Galáxia Vol. 2. Com carta branca para trazer uma história inédita e repleta de seus desejos de fã de personagens do lado mais desconhecido da Casa das Ideias, Guardiões da Galáxia Vol. 2 se torna uma experiência visual e emocionalmente sólida.

Com uma sequência de abertura que carrega o DNA dos Guardiões do cinema com louvor, Guardiões Vol. 2 procura constantemente em executar e amplificar as razões que fizeram o primeiro longa ser tão querido. Ainda que a inserção de algumas músicas da Awesome Mix Vol. 2 pareça estar deslocada em determinados momentos, Gunn sabe como ressignificar seus defeitos ao otimizar o que sabe fazer de melhor: trabalhar seus personagens. Todos os principais nomes do longa ganham um parceiro para trabalhar mais a respeito das características que os tornam tão únicos, simpáticos e humanos, reforçando o conceito de família. Quill e Ego, Gamorra e Nebula, Drax e Mantis, Rocket e Yondu… Cada dupla faz com que seus integrantes sigam uma jornada diferente de autodescoberta e de quebras de barreiras pessoais que carregavam há muitos anos, tornando o longa surpreendentemente tocante.

Ao se assumir como um filme que busca introduzir personagens e conceitos hardcore sobre o universo cósmico da Marvel, Guardiões Vol. 2 diverte e se diverte com sua construção, carregando referências a cada quadro em relação aos anos 80. Essa diversão travestida de despretensão é um fator importante quando nos deparamos com cenários e detalhes impressionantes, revelando o carinho de seus realizadores para tornar a jornada também agradável ao público e digna do reconhecimento dos fãs dos quadrinhos. Ainda que saiba reconhecer e trabalhar seu potencial de divertimento, é curioso notar que Guardiões Vol. 2 também acaba sofrendo ligeiramente por faltar com um melhor desenvolvimento de seu ritmo, por vezes soando expositivo e apressado demais em momentos importantes, ironicamente algo que o primeiro longa soube realizar de uma maneira mais natural.

Se tornando novamente uma feliz comprovação da capacidade de um diretor em transformar uma propriedade desconhecida em um produto único, Guardiões Vol. 2 é cheio da mesma personalidade que ganhou os corações de pessoas por todo o mundo. Mesmo que a magia que tanto impressionou em um primeiro momento não esteja tão presente, o novo capítulo do Marvel Studios é criativo o suficiente para tornar sua própria experiência em algo marcante.

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.