[RobotMagazine] Alien: Os 40 anos de uma das franquias mais importantes da ficção científica

Desde o início do seu desenvolvimento nos cinemas, a ficção científica foi um dos gêneros que mais encarou ótimas e péssimas fases. Sendo mais abordado a partir da década de 1950, em obras como Plano 9 do Espaço Sideral (1959), o sci-fi sofreu com a descrença e a ridicularização que enfrentou por parte da crítica, sendo descrito comumente como infantil. Contudo, os anos seguintes trataram de provar que o gênero poderia oferecer muito mais do que isso, rendendo obras primas como 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968) e Planeta dos Macacos (1968), e começou a se diversificar.

Ironicamente seguindo o curso cíclico da história, a franquia Alien também enfrentou muitos altos e baixos. Na próxima quinta-feira, chega aos cinemas Alien: Covenant, o novo filme de uma franquia de quase 40 anos que trouxe novos conceitos, ideias e ajudou a estabelecer o gênero como um dos grandes pilares da cultura pop em todo o mundo. Com isso, preparamos um especial para relembrar cada capítulo que ajudou (ou não) a desenvolver e pavimentar a mitologia do universo do Xenomorfo e se preparar para comentar com seus amigos!

 

Alien: O Oitavo Passageiro (1979)

Lançado em 1979, o longa carrega consigo uma característica singular que normalmente acompanha os primeiros filmes de grandes franquias: sua abordagem e construção eram únicas e muito mais simples. Contando a história da nave Nostromo, Alien apresenta os eventos que acontecem após seus integrantes decidirem investigar um sinal de socorro enviado de uma pequena lua em um sistema planetário perdido no cosmos. Quando encontram, um membro da equipe é infectado com um estranho ser alienígena que explode de seu peito e se esconde pela nave. Um a um, eles são caçados e precisam descobrir qual a origem deste ser e como detê-lo. Ridley Scott se preocupou em levar elementos do horror, sempre filmando suas cenas dando ênfase ao ambiente claustrofóbico da nave. Antes do lançamento de Alien, nenhum outro filme havia ousado levar conceitos tão extremos para a ficção científica, surpreendendo a crítica e sua audiência com uma montagem tensa e um design de produção especial, concebido pelo designer suíço H.R. Giger, que ajudou na concepção do visual do extraterrestre e dos cenários. Tomando o mundo de surpresa, o filme também ajudou a lançar a carreira de Sigourney Weaver, que viria a se tornar a grande estrela da franquia como Ellen Ripley, e John Hurt.

 

Aliens: O Resgate (1986)

Após anos em desenvolvimento, foi sob o comando do então promissor James Cameron que a sequência de Alien começou a ganhar forma. Com o sucesso de O Exterminador do Futuro (1984), Cameron ganhou a oportunidade de dar seguimento à história em 1986, escrevendo e dirigindo o longa com primor. O diretor decidiu levar Ripley em uma missão de busca e extermínio ao lado de uma tropa de elite militar ao planetóide onde sua equipe encontrou os ovos do Xenomorfo e deu início ao horror que presenciou no filme anterior. Porém, o local foi colonizado com tropas humanas enviadas especialmente para terraformar sua superfície e que acabaram encontrando a nave contendo os ovos. Logo, agora vemos centenas de Aliens sedentos por sangue. Tendo a ação como foco, Aliens: O Resgate foi o responsável por estabelecer novos conceitos na mitologia do universo da franquia de forma muito inteligente, como a presença da Rainha Alien e do comportamento dos Aliens enquanto uma colônia de abelhas, e apresentava os traços característicos de Cameron que vieram a se tornar sua marca registrada, como as sequências de ação frenéticas e personagens fortes.

 

Alien³ (1992)

Com o sucesso avassalador de Aliens: O Resgate, a 20th Century Fox se encarregou de encomendar um continuação para obter ainda mais dinheiro com o frisson que os longas haviam se tornado perante o público. Contudo, Ridley Scott e James Cameron se afastaram e rejeitaram ofertas para retornar à franquia para se dedicar à outros projetos. Sem saber qual rumo tomar, o estúdio buscou novas ideias de roteiro e em qual direção o novo filme deveria seguir, abordando diversos cineastas sobre suas visões, mas mantendo a maior parte do controle criativo sobre o novo longa. Foi quando em 1991, o desconhecido David Fincher foi pinçado do mercado de videoclipes e oferecido para dirigir seu primeiro grande longa-metragem. Com uma produção turbulenta e repleta de decisões e intervenções equivocadas, Fincher se viu preso às decisões do estúdio e pouco pode fazer em relação ao filme que finalmente seria exibido. Considerado como uma grande decepção, Alien³ se tornou o primeiro sinal sobre o infeliz destino que a franquia poderia tomar, descartando personagens dos filmes anteriores de forma decepcionante, com uma história desinteressante e não mantendo as características essenciais da franquia, o que causou um afastamento por parte do público. Contudo, o longa foi um importante aprendizado na carreira de Fincher, que decidiu fazer filmes que levariam sua identidade e acabou lançando filmes como Seven (1994) e Clube da Luta (1999).

 

Alien: A Ressurreição (1997)

Após as turbulências de Alien³ e o aprendizado que David Fincher levou, parece que o estúdio não compreendeu os deslizes que cometeu e seguiu em frente com o desastroso Alien: A Ressurreição (1997). Decididos a conseguir uma amostra do espécime alienígena, a companhia Weyland-Yutani desloca uma espaçonave para realizar a clonagem da tenente Ellen Ripley misturando seu DNA ao dos xenomorfos para estudar seu comportamento, criando cobaias do monstro em cativeiro em consequência. Contando com nomes conhecidos em seu elenco, como Winona Ryder e Ron Perlman, o longa acabou se tornando uma infeliz sucessão de erros, com atuações esquecíveis e um roteiro extremamente mal desenvolvido. Um dos primeiros filmes do diretor francês Jean-Pierre Jeunet, que viria a realizar o celebrado O Fabuloso Destino de Amélie Poulain anos depois, Alien: A Ressurreição afundou a franquia no esquecimento por anos.

 

Prometheus (2012)

Com o fracasso de Alien: A Ressurreição, os filmes oficiais da franquia se mantiveram em um longo período sem novidades até o anúncio de Prometheus (2012). Marcando o retorno de Ridley Scott à franquia, Prometheus criou uma elevada expectativa em relação ao produto final que viria a se tornar. Ao final, acabou sendo extremamente divisivo entre os fãs, com alguns criticando seu desenvolvimento arrastado e personagens desinteressantes, mas com muitos elogios em relação à sua originalidade em determinados temas e da forma inteligente em que estabelece os links com o filme de 1979. Contudo, o futuro dos próximos filmes ficou em dúvida dada a incerteza de retorno financeiro.

Curtiu nosso especial? Conte para a gente qual é seu longa favorito em toda a franquia e confira Alien: Covenant nos cinemas! Até a próxima!

Pedro Ornellas Ribeiro

Apenas um cara comum que é considerado estranho por ter lido 3 edições dos Dicionários dos Cineastas e se lembrar do ano de lançamento, nomes e obras de diversos diretores quando era menor. (Ok, isso é um pouco estranho mesmo) Publicitário, mas que sempre quis trabalhar com cinema. Acredita que as pessoas não são ruins, elas só estão perdidas. Talvez por isso ainda acredite em super heróis. Acredita que o mundo não é binário. Por isso, gosta tanto da DC quanto da Marvel, assim como Star Wars e Star Trek. Ama cinema blockbuster, mas não abre mão de poder assistir um filme alternativo sempre que puder. Não gosta de café. Futebol, política e religião se discutem sim, mas sempre numa boa. Ah, filme favorito? Tubarão (1975), do Spielberg.